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Ele combate a pobreza com uma moeda diferente, o palma

Imagine um lugar, no Brasil, onde a moeda oficial não é o real, cartões de crédito são de papel, o trabalho do Serviço de Proteção ao Crédito é feito pelos vizinhos e o caixa do banco divide espaço com o balcão de empregos e com reuniões da associação de moradores. Parece ficção? Pois esse lugar existe e abriga cerca de 32.000 pessoas de baixa renda, mais de 200 estabelecimentos comerciais e três escolas públicas. Trata-se do Conjunto Palmeira, distante 20 km do centro de Fortaleza, no Ceará. Há uma década esse bairro de periferia não passava de um grande alagado, habitado por famílias paupérrimas, sem água tratada, esgoto nem luz elétrica. Hoje, a região é referência quando o tema é economia solidária. Ali surgiu o primeiro banco comunitário do país, o Banco Palmas, com o aval do Banco Central, um modelo que já se multiplicou em 16 outras instituições de microcrédito. Por trás do projeto está o ex-seminarista João Joaquim de Melo Neto, 45 anos, que largou o seminário com o firme propósito de trabalhar para os pobres, mas sem fazer caridade.

Joaquim, como é conhecido, apostou num modelo de geração de renda baseado no microcrédito e na produção solidária com conseqüente aumento de renda e de qualidade de vida de cada um dos assistidos. É uma idéia semelhante à do banco criado em 1976 pelo indiano Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007. Conceitualmente, é um sistema simples: empresta- se verba (o microcrédito) para que as pessoas de baixa renda produzam bens e serviços e incentiva-se que sejam consumidos localmente, dentro de uma rede solidária, de forma que o dinheiro gire dentro da própria comunidade. Para garantir que a riqueza gere riqueza localmente surgiram três instrumentos financeiros: uma moeda própria, o palma, lastreado e indexado ao real e com circulação apenas nos limites do bairro; o microcrédito para produção, comércio ou serviço, e o cartão de crédito Palmacard, um pedaço de papel válido para as compras locais e cujo valor inicial é de R$ 20, podendo chegar ao máximo de R$ 100.

Juntos, a moeda, o crédito e o cartão permitem o rearranjo da economia local, propiciando a melhoria da vida da comunidade envolvida. Para obter acesso a esses instrumentos é necessário ser morador do Palmeira, aceitar as regras de compra e venda locais e ser uma pessoa conhecida. Os créditos concedidos pelo Banco Palmas não exigem documentos nem garantias cadastrais. Os próprios vizinhos oferecem as informações sobre o tomador do empréstimo, assegurando que se trata de uma pessoa responsável e com experiência no ramo da atividade pretendida. O Banco Palmas trabalha com um sistema de juros evolutivos: “Quem tem mais paga mais, para subsidiar o empréstimo de quem tem menos”, diz Joaquim.


Fonte: Por Katia Simões, in empresas.globo.com/empresasenegocios
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