Pular para o conteúdo principal

Speedo ganha destaque com polêmico uniforme de natação

A Speedo, empresa australiana de artigos esportivos, vive o momento de maior presença de mídia em seus 80 anos de atuação - 30 dos quais também no Brasil - , reflexo da polêmica envolvendo o macacão LZR Racer, que coleciona recordes mundiais e aumentou a visibilidade da natação às vésperas das Olimpíadas de Pequim. Para o diretor de marketing da Speedo no Brasil, Renato Hacker, a repercussão colocou a marca num novo patamar de exposição de mídia. "Sem dúvida a polêmica aumenta as vendas e coloca a natação em evidência, faz que o esporte seja mais praticado, favorecendo o resultado da empresa", comenta Hacker.

Ao mesmo tempo em que conquista espaço com seu carro-chefe, a natação, a Speedo investe para ingressar em novos esportes, como o triatlon, e lança produtos licenciados, entre eles barras de cereal, em parceria com a Riclan. Desenvolvido no Acqualab, laboratório de pesquisa e desenvolvimento da empresa, na Itália, o traje LZR Racer é a quarta geração da linha Fast Skin (Pele Rápida) e foi inspirado na hidrodinâmica e aerodinâmica do tubarão, que nada a 65 quilômetros por hora.

Dos últimos 39 recordes mundiais de natação, 35 foram com o polêmico traje, que é criticado por não estar disponível para todos os atletas, o que a Speedo nega. A empresa informa que disponibiliza o uniforme para todos os nadadores, mesmo os patrocinados pelas rivais Arena (Alemanha), Diana (Itália) e TYR (Estados Unidos). A empresa prevê conquistar 80% das medalhas que serão disputadas nas provas de natação em Pequim (96 medalhas), o que irá representar mais que o dobro das 47 medalhas ganhas nos Jogos de Atenas 2004.

Uma das grandes expectativas das Olimpíadas é o duelo entre o norte-americano Michael Phelps e o brasileiro Thiago Pereira, que se enfrentarão nos 200 metros medley e 400 metros medley. Pereira faz parte do Speedo Elite Team e tem sua imagem explorada em ações de marketing. Fundada em 1928, quando os trajes de natação eram de algodão e lã, a empresa espera um crescimento de 30% no faturamento no País neste ano, e o investimento em marketing vai aumentar 30%. Valores não são revelados.

Patrocinadora das duas maiores potências da natação mundial, Austrália e Estados Unidos, a empresa renovou contrato com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e será a fornecedora oficial das sete modalidades aquáticas dos jogos: natação, maratona aquática, saltos ornamentais, nado sincronizado, pólo aquático, vela e pentatlo moderno (categoria natação). Dessas, três usam o LZR Racer: natação, pentatlo e maratona aquática, prova na qual o País tem uma das favoritas, Poliana Okimoto, campeã mundial.

De acordo com Hacker, a vantagem do traje, que chega às lojas em julho, um mês antes das Olimpíadas, é que ele não tem costura e sim uma solda ultrasônica, desenvolvida em parceria com a NASA. Trinta por cento da roupa é composta de elastano e os demais 70% são mantidos em segredo. A roupa, que possui 5% menos atrito e 6% mais rendimento de oxigenação do que a terceira geração, dura cerca de oito horas à nível competitivo e custa de US$ 300 a US$ 800.

"As conquistas são um testemunho para a marca e divulga a empresa para os atletas que estão começando na natação", observa Hacker. A Speedo patrocina competições de categorias de base para garantir consumidores entre as novas gerações do esporte.

Novas áreas de atuação
A Speedo está ampliando sua área de atuação e lançou produtos para corrida de rua, ciclismo e triatlon, além de itens licenciados como relógios, barra de cereal, calçados, óculos de sol, meias e cuecas. A empresa fechou recentemente parceria com a Grendene para o lançamento de uma sandália esportiva. Com a catarinense Lepper, roupões, toalhas para banho, praia, piscina, fitness e jogos de cama; com a Seculus, relógios; no segmento de óculos de sol, a parceira é a General Optical; e em meias, a Lupo.

"A empresa começou a botar a cabeça para fora da água, foi uma evolução anfíbia", diz Hacker. O foco atual de atuação no mercado brasileiro é o triatlon (natação, corrida e ciclismo), esporte em alta no Brasil. A Speedo lançou uma coleção desenvolvida para triatletas, batizada de XDSKIN.

Setenta por cento do investimento em marketing da empresa é direcionado a patrocínio de atletas, provas de maratonas aquáticas, triatlon e triatlon de aventura, entre outras ações.


Fonte: Por Gustavo Viana, in Gazeta Mercantil
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …