Pular para o conteúdo principal

Bom humor e resultados combinam?

Ambiente sisudo, formalidade excessiva e um clima capaz de sufocar qualquer tipo de descontração e bom humor. Todo este cenário parece ainda fazer parte da rotina de muitos profissionais que driblam esse modelo de gestão antigo para conseguir alcançar suas metas nas empresas.

Sem dúvida alguma, o local de trabalho é um lugar que deve inspirar responsabilidade e seriedade, mas tudo tem limite. Em nome dessa imagem tão impecável, algumas organizações acabam criando em suas dependências um ambiente de hostilidade ou algo que se assemelha a um mosteiro, pelo silêncio e austeridade que dominam o lugar.

Mas será que dá para ser diferente?

Mello Jr., consultor e instrutor da GM Projetos & Assessoria, é um dos muitos visionários que acreditam ser possível conciliar trabalho, produtividade e um pouco de descontração. Ele defende a idéia de que sofremos diariamente com as pressões por busca de resultados que o mercado competitivo nos impõe, e tudo isso resulta em abalo emocional. De acordo com Mello, os líderes fazem da cobrança uma arma para manter o pulso firme com relação à conduta e ao desempenho dos colaboradores, tornando o grupo muito fechado e, por conseqüência, sem espaço algum para descontração. "Defendo que ambientes descontraídos trazem produtividade. Quando feito com profissionalismo e normas bem definidas, traz muito sucesso."

O consultor traça até mesmo um paralelo com consumidores, pois as pessoas tendem a comprar mais em ambientes leves, alegres e com muito respeito. O mesmo acontece com a produtividade dos colaboradores dentro de uma empresa.


BOM HUMOR E RESULTADOS LADO A LADO
Festival de rock, prêmio para a melhor piada e um encontro na Toca dos Gatos. O que parece ser a programação de um acampamento de férias é, na verdade, o roteiro de algumas das atividades promovidas pela Kaizen, empresa que atua na área de Tecnologia da Informação.

O nome da empresa tem origem japonesa e quer dizer "melhoria contínua" - o significado perfeito para quem faz tanta questão de manter um clima amistoso e agradável entre os funcionários para conseguir resultados mais do que positivos.

A história da empresa começou quando os fundadores eram estagiários de uma multinacional e desfrutavam de um clima muito agradável na organização. Daniel Dystyler, um dos fundadores e hoje diretor de Gestão de Talento e Serviços da Kaizen, conta que naquela época havia uma troca de informações muito boa entre os profissionais, ambiente descontraído e investimento no desenvolvimento de funcionários. Aos poucos, já efetivados no local, eles viram aquela empresa tomar um rumo diferente e se aproximar mais de um ambiente de trabalho formal. Isso foi o pontapé inicial para que pensassem em ter um negócio próprio, pois acompanharam o impacto das mudanças de clima no comprometimento das pessoas. "Queríamos um clima divertido para que aos domingos à noite ninguém ficasse com dor, embrulhado, pensando: ‘puxa, amanhã é segunda-feira e tenho de trabalhar’.Um pouco da vocação da Kaizen tem a ver com isso, com a construção de um ambiente bacana. "

Assim como acontece em todas as empresas, existem metas e resultados a serem alcançados, por isso é importante ser responsável e profissional. Para isso, investe-se em treinamentos e o foco no resultado é mantido.

Com essa postura diferente, a Kaizen alcançou, no ano passado, seu recorde de faturamento e produtividade. Além disso, está entre as 30 empresas que mais crescem no setor e figura nas listas das melhores empresas para se trabalhar segundo avaliação do instituto Great Place to Work e da ComputerWorld. "Ficamos com certo receio de que as pessoas vissem nossas atividades e achassem que era uma coisa meramente engraçadinha e curiosa. Na verdade, acreditamos que isso é um modelo de negócio. As pessoas trabalham mais por conta disso e dão mais resultado para a empresa. É uma questão estratégica a empresa ser assim", conta Dystyler.

Além do clima, a empresa também oferece benefícios diferentes para os funcionários, como o Kaisen Rock – festival anual organizado e apresentado exclusivamente pelos funcionários: desde o baterista até o cinegrafista que capta as imagens para a produção de um DVD do festival - fique tranqüilo com relação à qualidade das imagens captadas por um analista de sistemas, por exemplo. A empresa custeia um curso de técnicas de filmagem para os interessados. Neste ano, são mais de 60 pessoas envolvidas no projeto, que dedicam suas horas livres para a organização do festival.

Os incentivos não são só culturais e pessoais. Refletem-se no bolso dos colaboradores também: 20% dos lucros obtidos no ano são divididos entre os funcionários. "É uma forma de envolvê-los com o resultado da empresa, com a gestão, com o fato de saber que cada centavo que a Kaizen economiza, por exemplo, vai virar dinheiro no bolso deles de alguma forma", explica Dystyler.

A empresa também prima pela transparência: os fundadores não têm salas exclusivas e a Intranet disponibiliza uma tabela com os cargos e salários de cada funcionário.

Com todos esses requisitos, fica mais fácil compreender porque o turnover é de apenas 4%, número considerado pequeno no setor de TI.

Catia Nallin é gerente de projeto e trabalha na Kaizen há dez anos. Para ela, o bom clima tem influência direta nos resultados. "Acredito que a descontração do ambiente permite uma boa sinergia entre os colaboradores e uma comunicação aberta e fluida. Outro aspecto é que nossos colaboradores têm um perfil pessoal que se adapta a esta característica descontraída de trabalhar, sem perder o profissionalismo e a excelência técnica."

A gerente ainda ressalta o incentivo por parte da direção para que os colaboradores participem ativamente do dia-a-dia da empresa, desde as atividades individuais até mudanças processuais para otimização, melhoria de produtividade ou redução de custos. Para auxiliar o recebimento de sugestões, foi criado o portal interno "Eureka", que possibilita que os funcionários enviem suas idéias - que podem ser simples, como a comemoração dos aniversários do mês, até a abertura de uma filial em outro Estado. As recompensas também variam de acordo com a sugestão: o colaborador pode ganhar uma camiseta com o logotipo da empresa e menção da idéia aprovada ou até mesmo tornar-se sócio da nova filial.


COMO FAZER?
Se você gostou das sugestões e dos resultados práticos da implantação de um ambiente mais descontraído, comece a desenvolver esta idéia na empresa em que trabalha. Mas tenha cuidado! "Qualquer mudança deve ser planejada, debatida em grupo/equipe e feita passo a passo, com orientação e monitoramento. Na preparação para essa mudança, é importante ouvir os colaboradores da empresa. Isso traz comprometimento do grupo", aconselha Mello.

Outra etapa importante é conceituar descontração, humor e a idéia de manter um ambiente alegre. O grande desafio é gerenciar esse clima sem perder de vista o foco e a produtividade. Segundo Mello, trata-se de uma questão de liderar, e não apenas gerenciar, pois envolve o esclarecimento de conceitos e a união das pessoas em busca de um mesmo objetivo. "Resultados diferentes só se conquistam fazendo as coisas de forma diferente."

Para implantar algum tipo de mudança no clima da empresa, é preciso lembrar que o primeiro passo está na elaboração de um projeto. Esteja preparado, saiba defender sua idéia, mostre como medir os resultados e boa sorte! Mello lista algumas dicas para você:





Fonte: Por Naísa Modesto, in www.catho.com.br
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …