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Estratégia militar para a gestão corporativa

Visão de futuro, estratégia, política, liderança, organização e disciplina. Alguns sustentáculos da rotina militar também podem ser considerados essenciais no mundo dos negócios.

Atenta a esta similaridade entre o universo militar e a guerra que se dá no mercado corporativo, a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo, criou o curso de pós-graduação "Estratégia Militar para Gestão em Negócios". O objetivo é proporcionar aos alunos - em sua maioria consultores, empresários e administradores de empresas - conhecimentos usados pelas Forças Armadas e por órgãos do governo, que podem ser transpostos para o dia-a-dia empresarial.

Dividido em três módulos, o programa inclui disciplinas variadas, como Ciência Política, Logística, Geopolítica e Liderança, mas também aborda questões ambientais e psicossociais. O calendário ainda inclui uma viagem de estudos práticos, na qual os participantes têm a oportunidade de conhecer de perto o cotidiano do ambiente militar.

Na selva dos negócios
Há alguns dias, um grupo de dez alunos participou de uma expedição, que partiu de Manaus. Baseada na capital amazonense, a excursão passou por algumas bases do Exército na cidade, além de ter visitado outras duas unidades no Amazonas - São Gabriel da Cachoeira, a duas horas de Manaus, e Maturacá, próximo à fronteira com a Venezuela. Em cada parada, os alunos assistiram atividades praticadas pelos militares.

O aluno Hugo Tisaka, diretor executivo da consultoria NSA Brasil, afirma que as atividades realizadas na viagem complementam o aprendizado teórico, iniciado em fevereiro. "A viagem foi interessante para entender algumas colocações - ditas em salas de aulas - relacionadas a tópicos como visão estratégica, geopolítica e defesa nacional", comenta Tisaka. "Agora temos um entendimento muito mais amplo e profundo das notícias transmitidas pela mídia".

Segundo ele, que chegou a comer uma minhoca na aula de sobrevivência na selva, o curso propicia aos participantes um melhor entendimento do fator "futuro", ou seja, faz com que se consiga dimensionar as conseqüências de eventuais ações que venha a realizar. A partir disso, o estudante é capaz de elaborar novas estratégias e traçar horizontes diferenciados, tanto nas ações militares quanto nas empresariais.

A proposta do curso também atraiu a empresária Adriana Fetter, especialista em logística internacional e única mulher da turma. "Os principais temas abordados batiam de frente com a minha profissão e a minha rotina", justifica Adriana.

Segundo ela, o preconceito em relação à mulher no ambiente empresarial foi um incentivo extra para a realização do curso com a temática militar, em um ambiente historicamente mais masculino do que feminino. "Estou satisfeita com o desenvolvimento das aulas e também em agregar conceitos de estratégia militar nos negócios e na minha vida", garante Adriana.

Brasil desconhecido
Liderada pelo general Antônio Luis da Costa Burgos e pelo coronel Edson Souza Rodrigues, ambos reservistas do Exército e atualmente coordenadores do Centro de Estudos Estratégicos da Faap, a expedição também teve como meta mostrar aos participantes uma área do País desconhecida para a maior parte dos alunos, que têm como base de moradia e trabalho a capital paulista. "O brasileiro pouco conhece do seu próprio país. A percepção que temos de algumas regiões é distorcida e superficial", observa o diretor da Faap, Américo Fialdini Junior. "A proposta é mostrar um Brasil exuberante e rico, além das nossas diferenças. Queremos trazer para dentro de sala de aula as coisas que verdadeiramente fazem o país caminhar."

Na viagem, os participantes do curso puderam acompanhar palestras e interagir com os comandantes e responsáveis das unidades. Os alunos também conheceram o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e o Centro de Controle de Vôos de Manaus (Cindacta IV).

Além disso, estiveram no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), voltado exclusivamente à formação de soldados para combate e sobrevivência na Floresta Amazônica. No Cigs, os militares são treinados para identificar e explorar os seus próprios limites físicos e psicológicos. Além disso, aprendem a usar e a ter a natureza como um forte aliado em sua sobrevivência, uma lição que pode - e, cada vez mais, deve - ser diretamente transposta para o dia-a-dia dos executivos.

Segundo Fialdini, o curso - ministrado por pessoas ligadas ao ambiente militar - procura oferecer aos participantes uma visão estratégica que comumente não é apresentada nas graduações em Administração e Economia. "O militar tem uma maneira diferente de pensar e agir", explica Fialdini. "Ele transporta essa concepção diferenciada para o aluno, que transformará este novo conhecimento em negócio e progresso", finaliza.


Fonte: Por Márcia Maria da Silva, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 11
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