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Definir prioridades é chave para harmonizar trabalho e família

A conciliação entre família e trabalho vem ganhando importância no mundo empresarial, ainda que modestamente. O assunto já virou até objeto de pesquisa da conceituada Iese Business School, da Universidade de Navarra, da Espanha. Em 2000, a instituição criou o Índice Internacional de Empresas Familiarmente Responsáveis (Ifrei, sigla do inglês International Family-Responsible Employer Index).

Para alguns especialistas em gestão, é preciso definir prioridades. Afinal, o tempo é um bem cada vez mais escasso. Segundo o coordenador do Ifrei no Brasil, Cesar Bullara, que também é professor de gestão de pessoas do Instituto Superior da Empresa (ISE), a família não pode ficar de lado na hora de definir o que é mais importante. "Nossa prioridade não deveria ser o trabalho. Por isso que falamos em conciliar. A profissão é importante porque é fonte de desenvolvimento e realização. Mas a vida familiar também é", diz.

Para ele, quem mantém uma boa relação familiar trabalha melhor e consegue tomar decisões adequadas. "As habilidades desenvolvidas como pai, mãe, marido ou esposa ajudam a resolver questões profissionais", justifica. "Em casa é preciso saber exigir de modo adequado. O mesmo se dá no trabalho: você precisa exigir de modo que as pessoas se sintam estimuladas, não acuadas."

Índice brasileiro
O Ifrei, realizado em 19 países, ganhou uma versão brasileira em 2005. Neste ano, a segunda edição do Ifrei Brasil premiou a Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CBTC), empresa de telecomunicações, como a mais familiarmente responsável do País. O levantamento foi realizado pelo ISE, em parceria com a Iese. Flexibilidade de horário e local de trabalho, apoio profissional e benefícios extra-salariais foram os principais itens que fizeram com que a CBTC se destacasse entre as cem empresas participantes. No total, a empresa tem 19 políticas consideradas familiarmente responsáveis pelo índice.

Segundo a diretora de talentos humanos da CTBC, Marineide da Silva Peres, a empresa não utiliza cartão de ponto há 15 anos. Os funcionários - e isso vale para todos os níveis - têm liberdade para viajar ou levar algum parente ao médico, por exemplo, desde que recuperem o tempo perdido em outro dia. O fundamental é a realização dos objetivos estabelecidos, uma vez que a companhia tampouco trabalha com banco de horas.

A saúde é outra preocupação da CBTC, que chega a acompanhar os níveis de estresse dos funcionários. "Temos música na empresa, programa de cinema e até massagem", diz Marineide. "Incluímos itens relacionados a cuidados com a saúde nos objetivo dos associados. Negligências nessa área podem provocar descontos no bônus."

Outro destaque da CTBC é a flexibilização do local de trabalho. Já há funcionários que trabalham de casa uma vez por semana. Por enquanto, a iniciativa só está disponível para algumas pessoas, que têm computador próprio. O acesso à internet banda larga é fornecido pela companhia. "Iniciamos esse projeto há dois meses. Queremos agora ampliá-lo aos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Começaremos a por esse plano em prática no próximo mês", revela Marineide.

A fartura de benefícios também contribuiu para que a empresa fosse considerada uma familiarmente responsável. Além de bônus, os funcionários recebem também um salário integral extra quando saem de férias, não apenas o habitual um terço previsto em lei. "Queremos que as pessoas tenham férias tranqüilas e que realmente aproveitem. Também somos bastante agressivos na questão de remuneração variável. Tudo isso permite que as pessoas consigam reformar suas casas e melhorar a condição de suas famílias", esclarece.

A empresa tem investido ainda em conhecimento e relações pessoais. Anualmente, os executivos participam de um encontro de casais. "Os participantes escolhem alguns temas - como relacionamento, comunicação e educação dos filhos - e nos encarregamos de contratar consultores sobre esses assuntos para orientar os encontros. "Pensamos na integridades das pessoas. A vida familiar é muito importante", afirma.


Fonte: Por João Paulo Freitas, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 12
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