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Design como parte importante na estratégia das empresas

O Rio de Janeiro se transformou na capital do design esta semana. Organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Design (ABEDESIGN), o Brazil Design Week mobilizou agências e empresas pela cidade com atividades especiais sobre o tema. O evento sediado no Museu de Arte Moderna teve como principais atrações palestras, oficinas e espaço com estandes para exposições de produtos de diversas empresas.

O evento contou com um investimento de R$ 2 milhões e debateu sobre um mercado que já movimenta US$ 150 milhões por ano. Reuniram-se cerca de quarenta agências de design participantes do evento, entre elas o GAD’ Branding & Design, cujo presidente, Luciano Deos, também ocupa a presidência da ABEDESIGN e é coordenador geral do evento.

Design como ferramenta estratégica de Marketing
Todas as agências presentes puderam expor seus trabalhos em um espaço de 1.500 m² no formato feira de estandes. O evento recebeu ainda profissionais do setor de grandes empresas nacionais e estrangeiras, como Tok&Stock, Embraer, Motorola e Fiat.

Entre todos os executivos, havia o senso comum de que o design já era uma ferramenta estratégica no desenvolvimento de uma empresa. “Acredito que tenha sido por isso que foi possível organizar um evento como esse aqui no Brasil”, resume Ricardo Abelheira, design responsável pelo Embraer Design Studio, estúdio da fabricante de aviões.

O evento também foi uma oportunidade do público conhecer cases e histórias de sucesso no setor. Uma delas foi o reposicionamento da marca Alfa Romeo, fabricante italiana de automóveis que foi adquirida pelo grupo Fiat no final da década de 1980. A montadora, que completará 100 anos em 2010, cresceu fazendo fama nas pistas de corrida de Fórmula 1 e com carros esportivos em diversos países do mundo.

Reposicionamento através do design
Nas últimas décadas, porém, a marca vinha perdendo o apelo que possuía no início do século passado, estando apenas presente na Europa, Japão e Argentina. Para reverter esse quadro, a empresa pesquisou os valores agregados à marca naquele tempo e procurou replicá-los nos dias de hoje.

Com isso, elaborou quatro pilares em seu posicionamento: Coragem, Agilidade, Sensualidade e Tecnologia. Após estudos, a marca optou por desenvolver carros menores, mais leves e fáceis de dirigir e com formas de sedução, de forma à gerar “amor à primeira vista”.

“Procuramos ainda harmonia e proporção no design, além de dar uma atenção aos detalhes, com o uso de materiais nobres e tecnologia de ponta”, explicou o italiano Christopher Reitz, chefe de design da marca, em sua palestra durante seminário sobre a indústria automobilística e transportes.

Alfa Romeo entrará no mercado brasileiro
Para o primeiro projeto, foi desenvolvido o carro de luxo 8C Competizione. Com a única proposta de representar o novo posicionamento da marca, o veículo teve uma produção limitada de 500 modelos, que foram vendidos em apenas quatro horas. “A iniciativa foi apenas para mostrar que ‘voltamos’, apesar de os carros de luxo não ser a linha que pretendíamos seguir”, explica Reitz.

Agora, a marca investe em carros econômicos e foca no público jovem para vender o Mito, lançado em junho na Europa. O próximo passo é investir na internacionalização da marca em novos mercados, como Índia, Estados Unidos, Rússia e Brasil.

“Queremos ser uma marca global novamente. Essa é uma estratégia que vem sendo montada há bastante tempo, com grandes investimentos. Os brasileiros são bastante abertos ao design emocional e entenderão muito bem a sensualidade latina de nossos produtos”, conta o chefe de design da marca em entrevista ao Mundo do Marketing.

Promovendo design para gerar expectativa
Também presente no mesmo seminário, a Embraer encara o desafio de lidar com um público tão próximo como distante: grandes empresários e personalidades, principais clientes da marca, cuja oportunidade de relacionamento é escassa por conta de seus cotidianos adversos.

A principal dificuldade era manter a expectativa e boa imagem antes de receber as aeronaves durante os cerca de cinco anos de fabricação dos modelos. Para isso, a empresa foca bastante no apelo do design, principalmente em respeito ao conforto e a decoração personalizada de interiores ao gosto do cliente.

“É com o interior que ele mais se importa. Já começamos a receber até propostas de clientes para utilizar projetos externos de design assinados”, conta Ricardo Abelheira.

Design na estratégia de branding
Outra presença de destaque foi Cláudio Ribeiro, Gerente de Design da Motorola para a América do Norte e Latina. Atualmente trabalhando em Chicago, o carioca destacou a importância do design e apelo de um produto para as vendas. Para exemplificar, Ribeiro relatou um case vivido recentemente pela marca na China.

O modelo virou símbolo de status no país. A Motorola resolveu, então, reduzir o preço pela metade esperando vender quatro vezes mais. O que aconteceu na verdade foi uma queda de 50% nas vendas, já que o produto perdeu o seu apelo quando se tornou mais acessível.

“O celular precisa passar uma emoção através do design. Além disso, precisamos ter consciência da marca, fazer com que o consumidor veja nosso produto e reconheça a Motorola unicamente pelo design”, diz Ribeiro ao site. Segundo ele, a marca consegue isso seguindo quatro conceitos: simplicidade, riqueza, honestidade e surpresa.

Personalização através do design
O Whirpool também apresentou cases de sucesso de design. A multinacional do ramo de eletrodomésticos, que no Brasil trabalha com as marcas Consul e Brastemp, viu no design a forma de investir na personalização de seus produtos. Nos últimos anos, vem investindo na venda de edições limitadas exclusivamente pela Internet.

Outra forma foi investir em produtos direcionados a um público segmentado. Um deles é a Brastemp Club, direcionada para aqueles que costumam promover festas em casa. Entre as inovações, uma comporta para pegar latas sem a necessidade de abrir a geladeira – de forma semelhante às vending machines -, controles que avisam quando as bebidas estão congeladas e espaço para gelar até seis taças.

“Em nossa estratégia, nossos maiores concorrentes são as marcas de outras categorias de produtos, com quem dividimos o que chamamos o ‘pocket share’. Precisamos estar sempre atualizado em relação ao design de forma a despertar desejo, para que a escolha da compra de uma televisão ou carro ao invés de geladeira não vire um problema para nós”, conta Mário Fioretti, Diretor de Design Industrial da Whirpool.

Experiência de marca com potenciais consumidores
A concorrência dentro do setor de eletrodomésticos de empresas motivou a empresa a focar também em públicos não necessariamente consumidores da empresa, como crianças. É a forma de manter a marca viva entre um público que poderá ser potencial consumidor no futuro. “Isso porque empresas como a LG já se relacionam com esse e outros públicos através de produtos como celulares e, por isso, podem atrair a atenção deles na hora da compra de um eletrodoméstico”, explica Fioretti.

Por isso, a parceria com a Faber Castell na fabricação da geladeira Aquarela visa a chamar a atenção do público infantil ao oferecer a opção de desenhar e apagar mensagens e imagens no eletrodoméstico, sem danificá-lo. Outra proposta de experiência da marca é o evento BGourmet, evento de design, decoração, gastronomia e arquitetura realizado em São Paulo e Salvador.


Fonte: Por Guilherme Neto, in www.mundodomarketing.com.br
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