Pular para o conteúdo principal

Profissionais inovadores são a chave do sucesso empresarial

Eles são os profissionais mais cotados pelas empresas de todo o mundo. Os criativos estão na moda - e não só nas agências de publicidade. As organizações buscam pessoas capazes de criar, de se envolver, de inovar e ter iniciativa. Em outras palavras, querem funcionários capazes de gerar valor para a companhia.

Alguns pesquisadores de macrotendências trabalhistas, como o alemão Matthias Horx, já apostam que a criatividade será a qualificação profissional do século XXI. "Nos encontramos em um mercado globalizado, dinâmico e variável, que mudou radicalmente no ambiente de trabalho no qual competem as empresas", explica Roberto Sánchez Lema, gerente de finanças de Cátenon España. Nesse sentido, "todas as organizações, independentemente do setor ao qual pertençam, buscam candidatos que ofereçam potencial criativo, um requisito quase indispensável nas empresas de âmbito multinacional", assinala.

O diretor-executivo da Page Personnel, Jaime Asnai González, diz que a procura por esses profissionais em Barcelona e Valência cresceu consideravelmente nos últimos seis meses. A maior busca é por executivos vinculados ao marketing, como designers de internet e gestores de conteúdo.

No entanto, na Espanha a criatividade segue pesando menos que o histórico acadêmico e a experiência de trabalho nos processos de seleção, embora os dois especialistas concordem que a tendência está mudando. Cidades como Madri, Barcelona, Valência, Zaragoza, Pamplona, Sevilha e San Sebastián - todas com centros universitários e capacidade para atrair profissionais qualificados - lutam para atrair profissionais qualificados e inovadores.

É o que Juan Carlos Cubeiro, sócio-diretor da Eurotalent e autor do livro "Classe Criativa", define como o GPS da criatividade: a capacidade de uma região de estar no mapa da inovação. Ou seja, ser uma cidade com estilo de vida próprio, que fomenta a interação social e que se destaca pela autenticidade. Por um motivo simples: "O criativo se sente como peixe na água, rodeado de outros profissionais iguais a ele."

Acredite: dinheiro não é tudo
O ambiente é uma das chaves para atrair essas equipes de trabalho. "Ambientes opressivos, excessivamente estruturados e burocráticos oprimem os profissionais criativos, que necessitam de um projeto estimulante e compartilhado para se desenvolverem", resume Jesús Vega, especialista em RH.

Quanto à remuneração, Natalia Villa, gerente sênior de organização e pessoas da KPMG, considera que o salário não é fundamental para seduzir os criativos. Para ela, o executivo inovador busca trabalhos que ofereçam a possibilidade de crescer profissionalmente, agregar valor à empresa, trabalhar em equipe e tomar a iniciativa.
Já Alfonso Jiménez, sócio-diretor da consultoria PeopleMatters, ressalta que a flexibilidade e a variedade cultural dentro da empresa são condições imprescindíveis para captar esse tipo de perfil. "Diferentes experiências americanas demonstram que as organizações que apresentam mais diversidade de grupos são as mais inovadoras".

Teorias à parte, um modelo de empresa criativa é a Google. A empresa busca executivos com inquietudes pessoais, que desenvolvem outras atividades fora do horário de trabalho. "Consideramos ser estimulante trabalhar rodeados de pessoas interessantes, além de excelentes profissionais", explica Paz Pérez Pernas, diretora de comunicação da Google España e Portugal. Além disso, para estimular a criatividade de seus funcionários, a empresa de tecnologia prioriza pelos espaços abertos em seus edifícios e instalou quadros-negros em todas as salas, para que escrevam neles suas idéias. "O ambiente é relaxado, porém organizado, e os funcionários se sentem em contínuo crescimento. Isso, sem dúvida, ajuda a inovar", explica a diretora.

Dentro do mesmo setor, outra das empresas que entenderam a necessidade de mimar os profissionais mais ativos é a Microsoft. Sua política de recursos humanos incentiva a contribuição de idéias novas, com uma ampla margem de flexibilidade horária e a possibilidade de participação nos projetos multidisciplinares dentro e fora da Espanha. "Não valorizamos só os conhecimento específicos do funcionário, mas sim sua criatividade e sua inclinação pela tecnologia", diz Jorge Calviño, diretor de gestão de talento da Microsoft Ibérica.

A atração de profissionais criativos não se limita só ao âmbito das empresas de tecnologia. Sua presença também se manifesta nas empresas de todos os setores. A rede de restaurantes McDonald’s, que está aproveitando o atual período de crise econômica para oferecer maior variedade de menus, a Desigual, uma das empresas de moda para a geração Y, a Bancaja, com sua agressividade comercial e sua campanha de fidelidade de clientes, a Electrolux, em contínuo lançamento de produtos para manter a liderança, e o laboratório farmacêutico Merck, com a busca de novas fórmulas, são alguns exemplos de organizações criativas.

Em outras palavras, a classe criativa se converteu no fator de êxito econômico e social, capaz de marcar tendências setoriais. "A criatividade é uma questão de atitude, de desfrutar do trabalho", lembra Cubeiro. Os especialistas consultados concordam que, embora todas as pessoas tenham capacidade de ser criativas, essa competência profissional atualmente é um bem escasso na Espanha. Talvez porque 80% das empresas continuam gravitando em torno do medo - de cometer erros, de perder o emprego, etc -, o que incentiva o surgimento da classe reativa, ou seja, de pessoas com baixa iniciativa e baixa empatia no trabalho.

Mesmo em tempos de crise, porém, a criatividade pode ser um bote salva-vidas empresarial. Diego Vicente Cortés, professor de comportamento organizacional da IE Business School, acredita que, em tempos de desaceleração, as empresas devem confiar - embora com cautela - nos profissionais criativos, pois "o anterior não funcionou e é preciso criar novas estratégias".


Fonte: Por Expansión, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 13
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …