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Muito além da comunicação

O mercado de telecomunicações contabiliza cifras gigantescas. No Brasil, os equipamentos e os serviços para esse segmento movimentarão 80 bilhões de dólares em 2008. O valor supera o faturamento total de serviço, software e hardware da TI brasileira, previsto para 28 bilhões de dólares este ano, segundo o Gartner.

Somente a parte de serviços de telecomunicações deve gerar 70 bilhões de dólares. Os principais responsáveis por essa receita são gastos com telefonia fixa e móvel, dados e serviços gerenciados. A venda de equipamentos de telecom colocou 10 bilhões de dólares nos bolsos das empresas de hardware de comunicação no país.

Enquanto as receitas de telefonia fixa apresentaram certa redução, as de mobilidade e dados tiveram aumentos expressivos. O destaque da área de serviços, que deve crescer nos próximos anos, é o que o Gartner chama de Gerenciamento Estendido de Telecomunicações, uma versão ampliada da gestão de serviços de telefonia, que inclui provisionamento de links de comunicações (fibra, rádio e satélite), gestão de fatura, de uso e de inventário e administração de telefonia fixa, móvel e de provedores.

"Sem exceção, as empresas têm muito desperdício em suas infra-estruturas de telecomunicações. Um caso comum é o de companhias que pagam por links de comunicação que não estão sendo usados, mas que não foram desativados", afirma Elia San Miguel, analista principal de telecomunicações do Gartner. "As empresas que adotaram o controle profissional dos diversos serviços de telecomunicações tiveram redução de 25% em seus custos", diz ela.

Outra tendência é a expansão dos serviços de TI. "As operadoras estão cada vez mais expandindo seus serviços de gerenciamento de infra-estrutura de TI e passam a combiná-los com a oferta de pacotes de telefonia fixa e móvel", diz Francisco Molnar, gerente de consultoria da Frost & Sullivan. A disposição das operadoras em entrarem na casa do cliente para cuidar de seus serviços, seja de telecomunicações, seja de TI, tem dado ao cliente enorme poder de negociação sobre os preços de tarifas e serviços " que não são baixos. "Com a portabilidade numérica, as empresas ganham ainda mais poder de fogo", afirma Molnar.

Comunicação unificada? Só com IP
A tendência que deve mudar a forma como as pessoas se comunicam e interagem, entre si e com máquinas, e da qual já se fala há alguns anos, é o uso pleno da tecnologia IP para a comunicação corporativa. "Não dá para falar em mensagens unificadas sem falar em telefonia IP. A base para ter mobilidade nos sistemas de comunicação corporativos é ter telefonia IP", diz Vinícius Caetano, analista de telecomunicações da IDC.

A telefonia IP e as aplicações de mensagens unificadas começaram a ser incensadas ainda na primeira metade desta década. A redução de custo trazida pelo transporte de voz pela rede de dados e pelo aumento da eficiência nas comunicações corporativas parecia irresistível para as empresas. "O problema é que elas pararam no benefício financeiro que o simples sistema de VoIP " que é apenas uma das pontas de telefonia IP " trouxe para as ligações", diz Caetano, da IDC. De acordo com o analista, o Brasil tem hoje pouco mais de 1 milhão de telefones IP, o que representa menos de 5% da base total de ramais.

Até agora, o desenvolvimento da telefonia IP e das mensagens unificadas esbarrou em dois problemas principais: o preço e a falta de percepção do real impacto que esses sistemas podem trazer para o negócio. Enquanto um terminal TDM (de telefonia convencional) com 30 ramais custa cerca de 1 000 reais, um sistema de telefonia IP para 30 usuários custa cerca de 12 mil dólares " sendo metade desse valor o preço dos terminais IP, e a outra metade, o das licenças. "Em países como o Estados Unidos, por exemplo, o impacto dessa diferença de preço foi amortizado pelo fato de as empresas terem investido durante anos em telefonia digital, antes de chegar à telefonia IP. O que fez com que a diferença de preço não fosse tão alta", diz Caetano, da IDC.

A saída para as empresas tem sido adotar sistemas de PABX híbridos. "Em 2008, a base de híbridos ultrapassou a de TDM puro. A questão é que esses equipamentos estão sendo usados apenas como porta para VoIP, e suas funcionalidades IP estão sendo postas de lado", diz Francisco Molnar. Apesar desses obstáculos, os especialistas colocam suas fichas na tecnologia. "O apelo da mobilidade é irresistível para os negócios. Mesmo que seja a passos lentos, essas tecnologias vão acontecer e vão mudar a forma como as pessoas trabalham", afirma Molnar.

O Gartner chama a atenção para o fato de as empresas já possuírem muitos dos aplicativos que compõem o conjunto de mensagens unificadas, mas não perceberem isso. "Muitas empresas têm aplicativos de mobilidade e smartphones, comunicadores instantâneos habilitados em suas intranets e até sistemas integrados de telefonia fixa e móvel, mas tudo funcionando de forma separada, sem uma base IP para uni-los", afirma Elia San Miguel, do Gartner. Na vanguarda, com sistemas de telefonia e mensagens IP já afinados e em funcionamento, estão empresas do sistema financeiro. "A próxima onda de adoção deve vir de pequenas e médias empresas", diz Caetano, da IDC.

Na visão do Gartner, o conceito de comunicação unificada receberá duas funcionalidades no futuro. Batizadas de Reach Presence (alcance de presença) e Notification Multichannel (notificação multicanal), elas têm potencial para levar essa tecnologia à categoria de assistente pessoal. A combinação de ambos permitirá, por exemplo, que o aparelho móvel do usuário (celular, PDA, notebook, etc.) comunique-se com ambientes inteiros, máquinas, sistemas de GPS e outros equipamentos, sem a interferência humana. Dessa forma, ao entrar num prédio, por exemplo, o usuário pode receber automaticamente em seu aparelho determinados arquivos. O profissional poderá programar seu sistema de comunicação unificada para localizá-lo via GPS e entregar conteúdos, como um dossiê médico, resultados de exames ou avisos do banco. Ao mesmo tempo terá a chance de permitir ou não que outros usuários saibam onde está naquele momento " se é possível comunicar-se com ele via telefone, chat ou videoconferência.

E as comunicações não devem escapar da onda do XaaS (tudo como serviço). Em breve, acredita Elia San Miguel, os provedores de serviços passarão a oferecer telefonia IP, voz e messaging como serviço. "Empresas de telefonia poderão, por exemplo, prover um voice mail único para os telefones fixo e celular de um assinante", diz ela.


Fonte: Por Flávia Yuri, da Info CORPORATE
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