Pular para o conteúdo principal

Promoção mal explicada gera desconfiança no consumidor

A palavra grátis é, sem dúvida, uma fórmula certeira quando o objetivo é chamar a atenção do consumidor. A estratégia funcionou perfeitamente com Rafael Menezes. No supermercado, foi atraído à prateleira do suco Ades pelas embalagens que destacavam, em vermelho e amarelo, uma promoção: "Grátis 150ml".

Ao olhar a embalagem mais de perto, no entanto, o que passou a chamar a atenção do consumidor foi o fato de o volume total de suco ser o de sempre, um litro:

— A embalagem tradicional já tem 1.000 ml. Então, como pode haver 150 ml grátis?

Finalmente, encontraram uma forma de reduzir o tamanho sem ter de admitir o ato e, muito menos, reduzir o preço. O que parece é que a Unilever vai chegar um dia e dizer: "Bom, já fui boazinha demais. Vou acabar com a promoção. A partir de hoje a embalagem tradicional vai passar a ser de 850ml. Pelo mesmo preço co-I brado anteriormente quando a caixa § era de um litro". Menezes resolveu fazer as contas e informa que, se isso acontecer, o consumidor irá desembolsar 11,15% a mais.

A Unilever esclarece, no entanto, que não houve alteração de preço, quantidade ou tamanho do produto Ades. A empresa diz que, em caráter promocional, está oferecendo ao consumidor um litro do suco pelo preço de 850 ml. seja, o benefício da oferta está no preço, com desconto de 15% negociado com os comerciantes que repassam a redução ao cliente. E não na quantidade. Só faltou informar ao consumidor que era essa a vantagem.


Fonte: Por Luciana Casemiro, in Jornal O Globo
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …