Pular para o conteúdo principal

Aos 248 anos, Faber-Castell ainda inova

“Em uma folha qualquer eu desenho um sol amarelo...”. Esta música embalou um clássico comercial de TV na década de 1980 e provavelmente foi veiculada centenas, milhares de vezes, principalmente em período de volta às aulas. Aliás, o período de volta às aulas é sempre a mesma coisa. Na hora de comprar o material escolar dos filhos, os pais se desdobram para achar o livro, o caderno, o estojo, a cola, entre muitos outros itens. Mas será que nesta hora os consumidores pensam em uma marca específica?

Quando a lista mostra os materiais que os pequenos alunos precisarão ter durante o ano, uma das primeiras marcas que nos vêem à cabeça é a Faber-Castell. Pudera. Com mais de duzentos anos de existência, o Grupo Faber-Castell é referência no mercado e está engajado nas atuais políticas de sustentabilidade e preservação do meio ambiente, uma vez que a companhia planta a madeira que utiliza para fabricar seus lápis.

No Brasil, a companhia instalou sua maior subsidiária em 1930 e ganhou também o mercado adulto em diversos países através de produtos voltados para o mercado executivo, além de uma linha de luxo, a Graf von Faber-Castell. Com histórico de forte presença na TV, atualmente a marca investe em espaços como a Internet para divulgar produtos a uma gama maior de consumidores, além de oferecer entretenimento e cultura aos internautas.

O Grupo Faber-Castell possui raízes na Alemanha e foi fundado por Kaspar Faber, em 1761. Pioneira em instrumentos de escrita, a companhia atingiu a liderança de mercado através da preocupação com a qualidade e com o desenvolvimento de novos produtos. Atualmente administrada por Conde Anton Wolfgang von Faber-Castell, a marca pinta o sete nos cinco continentes.

Produção sustentável
A Faber-Castell Brasil está sediada em São Paulo há quase 80 anos e emprega cerca de três mil trabalhadores que produzem anualmente 1,8 bilhão de lápis. Com uma linha de aproximadamente mil produtos, a Faber-Castell ganhou o Brasil e outros 70 países.

Mas, de acordo com Elaine Mandado, gerente de serviços e Marketing da Faber-Castell Brasil, o maior diferencial da empresa é ser a única no mundo a plantar madeira para produzir seus EcoLápis. “Esta é uma importante característica que a distingue dos demais fabricantes mundiais deste produto”, conta em entrevista ao Mundo do Marketing.

Esta iniciativa da Faber-Castell começou em 1989, em Minas Gerais, e hoje as plantações equivalem a 10 parques florestais, dentro de uma área de cerca de nove mil hectares. Mas nem tudo são lápis. Aproximadamente 2.300 hectares deste espaço são de preservação permanente para que o restante sirva para a plantação de Pinus Caribaea, matéria-prima do EcoLápis Faber-Castell.

Marketing gravado na “pele”, na web e no PDV
De acordo com Elaine Mandado, a primeira estratégia de Marketing desenvolvida pela Faber-Castell já era inovadora tanto que até hoje ainda é usada. “Gravamos a marca nos lápis. A impressão do nome A.W. Faber, que é a razão social da companhia, garante a procedência e a qualidade dos produtos”, afirma a executiva.

Após anos investindo em TV como o principal canal de comunicação com o consumidor, em 2009 a Faber-Castell desenvolveu uma campanha com foco 100% na internet, voltada para pais, professores e crianças. Além destes meios de comunicação, a companhia também entende que é no ponto-de-venda que a escolha pelo produto é feita e, por isso, a gerente de serviços e Marketing da Faber-Castell destaca: “O PDV é de suma importância para a Faber-Castell e nele investimos através de ações diferenciadas, principalmente durante o período de volta às aulas”, conta a gerente ao site.

Segundo Elaine, a Faber-Castell desenvolve materiais para decoração dos pontos-de-venda, atividades especiais e pontos extras em algumas lojas para destacar os principais benefícios e diferenciais dos produtos. “Sempre procuramos estar presente em tablóides de clientes, o que acontece principalmente durante a volta às aulas. Mas, além disso, a empresa investe em treinamento de balconistas, promotores e demonstradores”, afirma.

Internet para alunos, pais e professores
Engana-se quem pensa que Faber-Castell é uma marca voltada apenas para crianças. Além de oferecer lápis de cor e de grafite, giz de cera, tintas, canetinhas, apontadores, borrachas, canetas e lapiseiras, a empresa atua também no mercado de CDs, cartuchos para impressoras, pen drive e até cartões de memória.

Prova de que os marmanjos têm relevância para a empresa é o lançamento de uma ferramenta que ajuda a manter a comunicação com pais e professores, o Clubinho Faber-Castell. Este projeto foi desenvolvido em parceria com a Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) e colabora com a educação das crianças. “No link ‘Clubinho Faber-Castell’ existe a Sala dos Professores, onde há planos de aula com temas atuais e importantes para os alunos”, diz Elaine.

Para os pais, a Faber-Castell oferece informações e dicas sobre educação. Lá também é possível que professores e pais troquem informações e também façam debates. Já as crianças podem acessar jogos, publicar atividades e criar cartões virtuais.

Linha de luxo, cosméticos e atenção com a crise
Para não depender apenas das vendas de material escolar, a Faber-Castell conta com uma extensa linha de produtos voltados para o público jovem e adulto, além dos Kits Criativos - desenvolvidos para aguçar a criatividade da criança - e de produtos de maquiagem distribuídos para empresas de cosméticos de 14 países.

Para gerar receita durante o ano, a companhia oferece também produtos de luxo através da linha Graf Von Faber-Castell. E quanto à crise que chega ao Brasil, Elaine é otimista: “A Faber-Castell Brasil está atenta aos movimentos do mercado global, mas continua com suas principais atividades em ritmo normal”.

Com crise ou sem, o certo é que a Faber-Castell continuará contribuindo com a preservação do meio ambiente graças à política ambiental implantada no Brasil, continuando a ser a marca certa para escrever, desenhar, pintar... e agora teclar.


Fonte: Por Thiago Terra, in www.mundodomarketing.com.br
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …