Pular para o conteúdo principal

Cocriação com o consumidor

Nos Estados Unidos, é comum fabricantes reembolsarem parte do valor do produto após a compra, o chamado rebate, para estimular o consumo. Funciona assim: os consumidores encontram um código na embalagem, recortam, juntam à nota fiscal, enviam pelo correio e esperam até 13 semanas. A rede de lojas de materiais de escritório Staples resolveu simplificar o processo e, para isso, organizou sessões de discussão com consumidores. “Não queremos recortar e enviar nada. Façam online”, eles disseram. Com a ação, a empresa convocou clientes para repensar seus processos.

Foi com esse exemplo que a americana Patricia Seybold ilustrou a filosofia que defende há dez anos em um encontro com executivos em São Paulo, realizado pela consultoria Idea e a FGV. Conhecida como cocriação com o consumidor, a prática ganhou espaço em grandes companhias, como Amazon e Xerox. Veterana da tecnologia da informação, Patricia busca entender, desde 1978, aonde a revolução da computação nos levará. Autora do livro Outside Innovation: How Your Customers Will Co-design Your Company’s Future (“Inovação externa: como seus clientes vão cocriar o futuro de sua companhia”), Patricia diz que a evolução das tecnologias digitais e uma mudança radical no comportamento do consumidor permitem envolvê-lo na criação de produtos e até mesmo fazer dele o centro de seu modelo de negócios. “O cliente está no controle. Com a internet e o volume de informações disponível, ele compara preços e questiona as empresas”, diz.

Ao longo dos últimos anos, a consultora viu cada vez mais empresas dizerem ter foco no cliente sem que isso se traduzisse na prática. Mas como fazer? Patricia aconselha buscar os clientes mais antenados. Depois, fazer entrevistas de fôlego para entender o que é crítico a esse público e como seria o cenário ideal. Por fim, elaborar uma forma de atingir isso. “É preciso também mostrar os resultados, para não gerar frustração”, diz.

Segundo Patricia, a cocriação pode gerar até 50% das inovações numa companhia. “Feita da forma certa, a empresa obtém ideias quase de graça que ajudam a inovar rapidamente”, diz Patricia. “O mundo é o laboratório.”


Fonte: Por Rafael Barifouse, in epocanegocios.globo.com
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …