Pular para o conteúdo principal

Reckitt Benckiser investe no mercado de baixa renda

A Reckitt Benckiser no Brasil está mudando a formulação do inseticida SBP, responsável por cerca de 60% das vendas brasileiras da companhia na área. Segundo a empresa, foi desenvolvida uma nova fórmula - à base de água mas mais eficiente. A expectativa é de conquistar pelo menos mais dois pontos porcentuais de participação do mercado de aerosol este ano. A Reckitt terminou 2008 com 25% de participação. Para isso, a estratégia é ampliar o número de pontos-de-venda e alcançar a população de baixa renda. No segmento elétrico, por exemplo, a Reckit derrubou os preços em relação ao ano passado. Um aparelho com os refis passaram de R$ 19 para R$ 6,50, informou Patrícia Macedo, gerente de marketing de inseticidas da companhia.

"Hoje a penetração de inseticidas no Brasil está em torno de 40%, o que é um percentual baixo. O produto ainda é muito concentrado nas classes A e B", disse. Segundo Patrícia, os bairros com menos infraestrutura das grandes cidade normalmente possuem rios e áreas de matas, o que favorece o aparecimento de insetos.

"Em elétricos o SBP não é líder, (a empresa é a segunda colocada em participação, atrás da Raid) e queremos a liderança este ano", afirmou a executiva. O mercado de inseticidas levou um tombo no último ano. Segundo dados da empresa de pesquisa ACNielsen, fornecidos pela Reckitt, depois de um crescimento de 14% registrado em 2007, o setor cresceu apenas 1% em 2008, alcançando faturamento de R$ 593,6 milhões. Segundo Patrícia, apesar da estabilidade do mercado, a Reckitt conseguiu crescer. No entanto, o segmento aerosol, responsável pela maior parte do faturamento da área, R$ 399 milhões, cresceu 12% no último ano.

"Não tivemos crise aqui no Brasil. Em outubro e novembro, no auge da crise internacional, alcançamos nossa participação recorde, de 27,1%, a maior da nossa história. Não temos do que reclamar", disse a executiva da Reckitt. Na média, a empresa fechou o ano com crescimento de 4%.

Mesmo com o ritmo mais fraco, a empresa não vai poupar esforços em 2009. Desenvolvido por um ano nos laboratórios da empresa na Austrália, o novo SBP vai receber significativos investimentos de divulgação: R$ 56 milhões, a maior quantia já investida pela empresa em um produto. Para 2009, a expectativa da Reckitt é fechar o ano com crescimento entre 3% e 5%.

Mercado aquecido
Para Maria Eugênia Saldanha, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), o mercado de inseticidas, apesar da crise econômica, tende a se manter aquecido em 2009. "Todas as variáveis estão favoráveis e as condições de mercado estão adequadas para o crescimento", disse ela, que ainda não tem uma previsão para o ano, mas não cogita crescer menos que o Produto Interno Bruto (PIB).

O recente aumento do poder aquisitivo da população de baixa renda foi fundamental para o bom desempenho do setor nos últimos anos. Além disso, a proliferação do mosquito da dengue também foi determinante para o aumento das vendas.

Patrícia espera que, nesses períodos de crise, a reação dos consumidores mude, já que em um primeiro momento os consumidores buscam produtos mais baratos, mas em seguida, com medo de arriscar em produtos de baixa qualidade, apostam nas marcas mais conhecidas.

Detefon
Além do SBP, a Reckitt também comercializa outras marcas de inseticidas no Brasil. Entre marcas internacionais como a Mortein está o Detefon, produzido desde 1948, que para muitos ainda é sinônimo de inseticida. No final da década de 1990, a marca passou da Wyeth para a Reckitt que hoje a utiliza com grande força no Norte e no Nordeste. A marca atua principalmente entre os produtos de preços mais baixos e é a sexta marca do mercado, segundo dados da Nielsen fornecidos pela Reckitt.

Em 2007, o faturamento das vendas de inseticidas líquidos foi de R$ 44,5 milhões. As vendas de armadilhas alcançaram R$ 30 milhões e as vendas de inseticidas elétricos alcançaram R$ 143,4 milhões.

Fonte: Por Wilson Gotardello Filho, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …