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Memória Institucional como ferramenta estratégica

Memória institucional é voltada para o registro, a sistematização, a preservação e a divulgação da memória das organizações públicas e privadas. É uma área que acredita na história das organizações como parte da memória do país, e portanto deve ser disseminada. Esta foi a base de novo curso desenvolvido na ABERJE – que atualmente reúne expertise das Associações Brasileiras de Comunicação Empresarial, Branding e Comunicação Organizacional – realizado no dia 21 de maio de 2009 na sede da entidade em São Paulo/SP. O tema “Memória - Ferramenta de Comunicação, Conhecimento e Gestão” foi tratado pelas historiadoras Cláudia Leonor e Márcia Ruiz para uma platéia de profissionais de cinco estados brasileiros.

Márcia assinala que a memória é, por excelência, seletiva e parte do que teve um significado mais marcante. A narrativa então é traçada numa história contida na memória. E acresce: “história é como organizamos e traduzimos para o outro o que filtramos em nossa memória”. Ao olhar para o passado, o contexto presente influi na narrativa e, por isto, pode haver diferentes histórias de um mesmo fato ou pessoa ao longo do tempo. Não existiria portanto “verdade absoluta” na área. “O historiador ajuda a organizar a memória. E o material escrito ou gravado passa a ser fonte histórica. Do conjunto de memórias se faz a história. E a história constrói o futuro”, arremata Cláudia. A desvalorização das histórias de vida comum decorre em parte do próprio conceito educacional em história como disciplina, que incentiva o estudo dos grandes acontecimentos e de seus heróis. O registro do cidadão ficava desmerecido até há poucos anos, e a história oral busca preencher esta lacuna ao reconstruir cenários. Márcia aponta que “a história era contada pela verdade de quem tinha poder”.

A memória cumpre funções essenciais, como continuidade, identidade e estabelecimento de padrões. Não é diferente com as organizações, que precisam criar a cultura de registrar, transmitir, salvaguardar valores e conhecimentos. Neste caminho, busca-se a história das pessoas como indivíduos, em grupos sociais e na empresa, num encadeamento de situações que mutuamente se influenciam. A empresa também é feita de histórias de vida de sua equipe, além dos lastros de sua trajetória. “A história é uma ferramenta estratégica de gestão de pessoas e de comunicação”, assinala Márcia. “Não é fazer história pela história”, complementa Claudia, para quem a memória pode fazer transformação social.

MUSEU DA PESSOA - Elas explicam que o conceito de contação de histórias pelas organizações, na perspectiva do Museu da Pessoa, é a história compartilhada como comunicação integrada, em que a autoria e protagonismo são as bases do comprometimento. Como método, é usada a história das pessoas para as pessoas, com múltiplas visões para os mesmos momentos. A seleção de nomes para coleta de depoimentos parte de uma pesquisa prévia com fontes primárias e secundárias, que vão mostrando os agentes decisivos, pitorescos e até consensuais, com posterior validação pela comissão envolvida no projeto de resgate. Tudo no caminho da formatação da memória coletiva, um conjunto de registros eleitos como significativos pelo grupo, que estabelece sua identidade, seu jeito de ser e viver o mundo e decorre dos seus parâmetros histórico-culturais. A possibilidade de compartilhar desta memória é que dá a cada um de nós o senso de pertencimento. “Trata-se e uma relação criativa e dinâmica entre indivíduo e grupo”, explica Márcia.

O processo envolve autores, que transformam a memória coletiva em narrativa coletiva, dentro de fontes, objetos, públicos e sentidos de memória. É originada a narrativa institucional, trazendo as memórias implícitas numa história para o indivíduo, para o grupo e para a sociedade. Por narrativa institucional, entende-se o conjunto de fatos, pessoas e processos selecionados pelo grupo e que traduzem a cultura presente. Os sentidos da memória estabelecem o porquê de um projeto na área, como por exemplo visando à identidade, tradição, auto-estima, preservação de saberes para o futuro. Os objetivos podem ser subsídio para as comunicações interna e externa, mobilização interna, criação de unidade no grupo, gestão do conhecimento, planejamento estratégico, gestão de mudanças (fusões e aquisições, crises) e gestão de pessoas (identidade, pertencimento, reconhecimento, comprometimento, valorização). Quanto às fontes, os acervos podem ser internos ou externos, compostos por documentos textuais, como relatórios, atas formais, revistas, teses, e por depoimentos, iconografia e objetos. O universo de relações da organização compõe os públicos. O trabalho resulta em publicações, vídeo-documentários, exposições, campanhas de histórias, centros virtuais, conteúdo para portais internet e intranet ou blogs, centros de memória, calendários, brindes e outros produtos de consolidação e disseminação.


Fonte: Por Rodrigo Cogo – Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas
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