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A arte de fazer a diferença




Nossa primeira lista anual das empresas mais inovadoras do brasil aponta a fluminense Chemtech, especializada em engenharia e software, como a número 1 entre as 25 melhores companhias quando o assunto é capacidade para inovar. Para o júri, formado por professores do Fórum de Inovação da FGV-Eaesp, a Chemtech cumpre boa parte dos requisitos que tornam uma organização inovadora, tanto pela sua excelência tecnológica quanto por instaurar um ambiente francamente propício à criatividade. Foi esse justamente o critério que orientou as análises do Fórum de Inovação da FGV–Eaesp, que há sete anos conduz estudos a respeito dos fatores que contribuem para que uma empresa ou instituição seja permeada por um processo contínuo de inovações, tanto tecnológicas quanto organizacionais. “O que se busca com a investigação é uma visão integrada da companhia”, sintetiza Marcos Vasconcellos, coordenador do Fórum. “O pressuposto é que cada um dos processos operacionais e gerenciais de uma companhia tem o seu peso e o seu papel na produção de inovações.”

As candidatas preencheram um extenso questionário que, no conjunto, radiografa todos os processos internos, capazes de levá-las – ou não – à condição de “organização inovadora”. Para se assegurar da precisão das informações enviadas, examinadores da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) que, com o Great Place To Work (GPTW), deram apoio técnico ao levantamento proposto por iniciativa de Época NEGÓCIOS, visitaram as 35 finalistas. Cinco dimensões foram analisadas pelos especialistas, cada uma com peso diferente no cômputo final:

>>> O papel da liderança na definição das estratégias e no incentivo à criatividade, decisivos para formar um modelo de negócio inovador. As organizações descrevem os mecanismos que adotam para garantir que a inovação faça parte permanente de suas estratégias. Ganharam destaque, nesse quesito, a operadora de telefonia GVT, o laboratório Cristália, o C.E.S.A.R, instituto de tecnologia e incubadora de empresas sediado em Recife, e a Ticket, do setor de tíquetes de refeição.

>>> O meio inovador interno, que estimula a iniciativa e o envolvimento das pessoas. Como a empresa age para garantir que os funcionários sintam-se com liberdade para expressar suas ideias? Como a empresa celebra as inovações bem-sucedidas? Foram destacadas, nesse quesito, a Ci&T, da área de TI, a farmacêutica Daiichi Sankyo e a IBM.

>>> As pessoas que conduzem o processo de inovação. Como a empresa inspira os funcionários? Como garantir que sua capacitação esteja alinhada com a intenção estratégica inovadora? Como a companhia demonstra reconhecimento?

>>> O processo de inovação, que se inicia com a alocação de recursos e compreende as etapas de geração de ideias, desenvolvimento e implementação das inovações. Quais as políticas da empresa em relação aos recursos para inovação? Qual a sua estratégia para o estímulo à geração de ideias e ao desenvolvimento das inovações? Foram premiadas com destaque, nessa dimensão, Bradesco, Brasilata, do setor de embalagens, a distribuidora de energia Eletronorte e a Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, dona das marcas Brastemp e Consul.

>>> Os resultados, os ganhos financeiros gerados pelas dimensões anteriores. Evidenciam que a cultura de inovação contribui efetivamente para o sucesso da empresa. “Tão importante quanto gerar lucros, os resultados têm o papel de realimentar o processo de inovação”, diz o professor Vasconcellos.

O Manual de Oslo, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), define inovação como a implementação de um produto novo ou significativamente melhorado; um processo novo ou um novo método de marketing. O checo Joseph Schumpeter, um dos mais relevantes economistas do século 20, preferia defini-la como “o impulso fundamental que coloca e mantém em movimento a engrenagem da economia”. Para o pensador americano Gary Hamel, a inovação diz menos respeito a um produto ou uma tecnologia e mais a um modelo de negócio totalmente diferente. Sam Walton, o fundador do Wal-Mart, costumava dizer que a inovação não requer um gênio criativo, mas “apenas o aproveitamento de ideias criativas, fruto do pleno conhecimento do mercado”. Talvez o melhor recado sobre o tema – simples e direto – seja o do inventor Thomas Edison: “Há sempre uma forma de fazer algo melhor. Encontre-a”. Fazer algo melhor não significa necessariamente dispor de abundantes recursos financeiros ou ter acesso a sofisticados centros de pesquisa e desenvolvimento de produtos. Tome como exemplo a Ampla, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, que reduziu em 10% o gasto com iluminação em 500 residências utilizando garrafas PET e uma mistura de água e alvejante. Instaladas nos tetos, elas refletem a luz solar com a potência de uma lâmpada de 40 watts. O invento, criado por um mecânico em Minas Gerais, foi descoberto por funcionários e levado à companhia, que comprou os direitos e o ofereceu aos clientes de baixa renda.

A maneira holística com que analisa as companhias possibilita ao Fórum de Inovação da FGV-Eaesp conciliar essas visões modernas das práticas de inovação – e da arte de fazer a diferença, como você verá nas matérias relacionadas.


Fonte: epocanegocios.globo.com
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