Pular para o conteúdo principal

O que a nova realidade muda nas organizações e seu relacionamento com os stakeholders?

É inegável que a vida digital proporciona novas oportunidades de nos relacionarmos de forma mais dinâmica, rica e interessante ao encurtar espaços e colocar gerações na mesma página de possibilidades, eliminando barreiras entre pessoas, funções, idades, gêneros e idéias. Facilita o compartilhamento de olhares, sentimentos, conhecimento e troca de experiências de igual para igual, pois somos todos produtores de mensagens e conteúdos, quebrando a hierarquia entre emissor e receptor tão presente nos meios tradicionais. A provocação deste artigo é saber o que esta nova realidade muda na vida das organizações e seu relacionamento com clientes, acionistas, funcionários e sociedade em geral?



É inegável que a vida digital proporciona novas oportunidades de nos relacionarmos de forma mais dinâmica, rica e interessante ao encurtar espaços e colocar gerações na mesma página de possibilidades, eliminando barreiras entre pessoas, funções, idades, gêneros e idéias. Facilita o compartilhamento de olhares, sentimentos, conhecimento e troca de experiências de igual para igual, pois somos todos produtores de mensagens e conteúdos, quebrando a hierarquia entre emissor e receptor tão presente nos meios tradicionais.

Vivenciamos uma deliciosa era em que compartilhar informações e conteúdos relevantes se tornou prática recorrente dos relacionamentos da nossa sociedade atual, o que traz de certa forma um novo significado para as relações. Nesse contexto, minha provocação é: o que esta nova realidade muda na vida das organizações e seu relacionamento com clientes, acionistas, funcionários e sociedade em geral?
Para responder - se é que esta pergunta se esgota numa resposta - é interessante primeiro notar como esse fenômeno, que acontece cada vez mais pelas facilidades da esfera digital, está trazendo importantes contribuições e mudanças para a relação dos consumidores com as marcas. As novas tecnologias permitem às pessoas dividir suas experiências, o que dinamiza as escolhas a partir da experimentação concreta e real do outro.

Para o bem e para o mal, nasce aí uma nova dinâmica de relação entre consumidor e marca, na qual a marca deixa de ser “soberana” no controle da divulgação de benefícios de seus produtos, serviços e iniciativas. A voz do consumidor tem adquirido iguais proporções e com mais legitimidade, pois partem de uma experiência concreta de uso e de uma opinião isenta de interesses comerciais.

Nasce aí também um novo desafio que extrapola os limites do marketing tradicional e das estruturas corporativas convencionais. Explico: até agora estávamos tratando a mídia digital como uma competência de marketing e comunicação, enquanto a sua nova dimensão nos faz repensar mudanças necessárias no modelo de negócios da organização.
As empresas têm estruturas ainda muito voltadas para uma única dimensão desse processo. Seus modelos de funcionamento estão estruturados sobre o velho privilégio de tempo entre a emissão de uma informação, o lançamento e a oferta de produto, e a resposta do consumidor.

Na nova dinâmica, este tempo diferido não existe mais. Conectados em rede, os consumidores de uma marca podem manifestar suas opiniões na mesma hora em que são abordados pelas informações, ofertas e propagandas. As empresas têm que estar prontas para responder a essas manifestações. O silêncio pode ser um poderoso destruidor de valores assim como uma coleção de respostas prontas.

É certo dizer que poucos, bem poucos, já dão os primeiros passos para trabalhar neste novo mundo. Algumas empresas, numa ousada atitude de romper os medos corporativos, jurídicos e estruturais, já se arriscam em novas formas de comunicação promovendo blogs e ações em redes sociais como o Twitter, entrando em contato com os seus consumidores e formadores de opinião de forma mais transparente e interativa. Segundo dados do Twitter, o número de usuários cadastrados no serviço aumentou nove vezes em 2008 e hoje conta com mais de 44 milhões de pessoas cadastradas.

Mas será que estamos frente a uma tendência ou um modismo? Ainda não sabemos a verdadeira resposta, mas minha opinião é que estamos diante de um movimento sem volta, pois o nível de contribuição desta nova forma de interagir é tão relevante em nossa dinâmica atual que quase tenho que me forçar para entender como era a vida sem todas as possibilidades que temos hoje para estabelecermos comunicação, contato, relacionamento e troca.

Por outro lado, entrar nesses novos espaços sem planejamento e estudo sobre como mobilizar o corpo gerencial da empresa poderá gerar riscos desnecessários. Esta escolha não deve ser pautada por uma intenção de colocar a marca frente ao modismo ou tendência mais atual. Deve ser uma escolha de se aproximar genuinamente dos seus stakeholders e de gerar mais valor para todos. Deve pressupor troca, autonomia, gestão de risco, atitude e principalmente partir de uma identidade forte que permeie todos os indivíduos que compõem a organização e exalam esta identidade em qualquer ponto de contato que estabeleçam com as pessoas.

É preciso assumir que não é mais possível controlar o que é dito e nem a repercussão que essas informações podem gerar e ao mesmo tempo garantir uma forte instalação de cultura de marca para preparar todos a agirem como porta-vozes da organização. É preciso formar pessoas que busquem e promovam o diálogo, sem partir de verdades fechadas. É preciso olhar o todo e ver o que é melhor para os envolvidos. É preciso ter a percepção de que somos comunidades conectadas a crenças e causas comuns.

Acho maravilhosa essa infinidade de possibilidades trazidas por esse admirável mundo novo. Nós, profissionais de branding e marketing (não acredito em marketing sem os conceitos de branding em sua origem) temos pela frente o desafio de estimular nosso consumidor com transparência e credibilidade dentro dessa rede de compartilhamentos on-line cada vez mais presente no nosso dia-a-dia. No final, o que importa é a atitude e não o discurso. Ralph Waldo Emerson, pensador americano, já dizia: "Suas atitudes falam tão alto que eu nem preciso ouvir a sua voz".

Acredito que as novas tecnologias vêm para melhorar nossas vidas e oferecer milhões de possibilidades para os seres humanos se dedicarem mais ao processo de desenvolvimento e compartilhamento de conhecimento se souber fazer o bom uso delas. É uma realidade inexorável e quem não compreender essa dinâmica irá dançar na poeira cósmica do Universo. Adelante!


Fonte: Por Fernando Byington Egydio Martins - diretor executivo de Estratégia da Marca e Comunicação Corporativa do Grupo Santander Brasil, in Mundo do Marketing

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...