Afinal, o RH é estratégico ou não?

Chega! O RH precisa se livrar de uma vez por todas desta eterna cobrança, de uma responsabilidade que não é sua. O RH, como qualquer área funcional, só pode ter um posicionamento estratégico se a empresa tiver o seu, e isto compete aos que a governam. "Estratégico" é a qualificação atribuída às ações de gestão com impactos nos resultados futuros que afetam o sucesso ou sobrevivência da empresa. Uma responsabilidade inalienável do grupo de gestão, do qual deve fazer parte o gestor de RH. Entretanto, é preciso separar os papéis e as competências exigidas de quem apenas toca uma função, daqueles que também se sentam no board e participam das decisões que afetam resultados globais do negócio, tais como rentabilidade, perenidade, valor e imagem do empreendimento. Uma empresa com sólida visão estratégica não contrata apenas um gestor de RH, mas um executivo de negócios com especialização em RH. As áreas funcionais passam a ser estratégicas quando traduzem orientações estratégicas em estratégias funcionais inteligentes e criam uma operação com vitalidade para transformar decisões em ações, resultados. Não existem matérias em RH essencialmente estratégicas. Isto depende da demanda de cada empresa. O estratégico é situacional e nem sempre sofisticado ou filosófico. Pode ser operacional, trazer paz e harmonia ou mesmo conturbar e aquecer a temperatura organizacional. A maior parte das empresas não possui um posicionamento estratégico claro e compartilhado.

Entretanto, o fato de o RH não ter uma formulação estratégica, não reduz sua importância para os negócios. O que se espera de uma área funcional é que ela tenha, sim, um pensamento estratégico para entender as necessidades (táticas ou estratégicas) de negócios para melhor atendê-las. Profissionais voltados à análise e avaliação das oportunidades e ameaças, das forças e fraquezas. O pensamento estratégico é um requisito, mesmo onde não há foco estratégico. Pensa estrategicamente quem conhece as necessidades de cada área e define estratégias alinhadas para atendê-las, por meio de uma operação, de produtos e serviços atualizados, renovados, úteis. Estratégias fantásticas desconectadas da realidade de nada servem.

O RH precisa ser estrategista, descobrir caminhos criativos frente aos problemas que confronta. Deixar de se esconder atrás de um confortável legalismo. Cobrar da área de RH um posicionamento estratégico pode ser um erro situacional. Exigir que ela seja uma estrategista competente é uma demanda justa. Quando a direção não define o sentido, os objetivos e o plano estratégico, é impossível adotar um posicionamento funcional estratégico. Mas as empresas precisam de um RH com pensamento estratégico, capaz de criar estratégias inteligentes. Bem se é isto que você chama de RH estratégico, tudo bem. Não vamos brigar por isto.


Fonte: Por Jorge Fornari Gomes, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9
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