Pular para o conteúdo principal

Procon diz que lista de aluno devedor é ilegal

O Procon-SP considera uma 'prática ilegal e abusiva' o uso do recém-criado cadastro nacional com os nomes de quem tem dívida com colégios e faculdades particulares, informa a Folha Online.

A consulta a essa relação de nomes, criada pela Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino), permite que as escolas recusem a matrícula de alunos que tiveram problemas com o pagamento das mensalidades.

Aproximadamente 700 colégios e faculdades do país já pagam uma taxa mensal para ter acesso às informações do Cineb (Cadastro de Informações dos Estudantes Brasileiros).

'Os pais que se sentirem lesados devem procurar o Procon. Se tivermos indícios ou comprovarmos o problema, essa escola será autuada', afirma Carlos Coscarelli, assessor-chefe do Procon-SP. A multa pode chegar a R$ 3 milhões.

De acordo com Coscarelli, cadastros semelhantes, como o da Serasa e o do SPC, devem ser consultados antes da concessão de crédito, não da prestação de serviço.

Coscarelli lembra também que o Código de Defesa do Consumidor proíbe o constrangimento da pessoa que tem dívida. 'Esse cadastro é uma exposição pública', afirma.

O advogado Vinícius Zwarg, especialista em relações de consumo, concorda com a interpretação do Procon-SP. De acordo com ele, a educação é um direito garantido pela Constituição. 'O cadastro pode inviabilizar esse direito', diz.

Visão diferente
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) faz uma interpretação diferente. Para Maíra Feltrin, advogada do instituto, o cadastro em si não é ilegal -o que pode ser ilegal é o uso que se fará dele.'Antes de a pessoa ter o nome inscrito nesse cadastro, ela precisa ser avisada, para ter a oportunidade de corrigir o problema. E as informações contidas nele devem ser objetivas e claras, não subjetivas', afirma.

Para Coscarelli e Zwarg, as escolas que tiverem problemas com devedores devem tentar negociar os pagamentos e depois recorrer à Justiça.

A Confenen afirma que o cadastro com os nomes não é ilegal e que o objetivo é somente proteger as instituições da inadimplência, que, de acordo com a entidade, pode passar de 25% em alguns casos.'É claro que existem famílias que não pagam a mensalidade em razão de problemas eventuais. Mas há espertalhões que dão calote. É com eles que estamos preocupados', afirma Roberto Dornas, presidente da Confenen.


Fonte: empresas.globo.com/empresasenegocios

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...