Pular para o conteúdo principal

Clientes em risco

Está se tornando cada vez mais corriqueiro: alguém tem o laptop roubado ou perde os discos do computador. Para piorar as coisas, lá estavam informações pessoais que agora se acham em poder de indivíduos de má índole dispostos a fazer mau uso delas. Tempos atrás, num incidente com uma empresa de entrega de encomendas, o escritório da HM Revenue & Customs perdeu vários discos contendo os nomes, as datas de nascimento, informações sobre contas bancárias e o número do seguro social de 25 milhões de cidadãos do Reino Unido. A freqüência com que tais quebras de sigilo acontecem é sinal de que falta às empresas mais seriedade na gestão dessas questões.

“As empresas não levam a sério a privacidade e a proteção dos dados de que dispõem”, afirma Richard Thomas, comissário de Informações do Reino Unido. “Trata-se de uma questão de liderança e de cultura. Muitas vezes, ela é relegada ao pessoal técnico, quando deveria ser objeto de preocupação da empresa inteira.”

Toda organização tem uma cultura própria. Muitas vezes vagamente definida como “o jeito que fazemos as coisas por aqui”. Os hábitos e padrões que vão se somando à “cultura” terão impacto muito maior sobre as atividades da organização do que os procedimentos escritos. Seguem-se algumas diretrizes que podem influenciar o DNA cultural da empresa:

>>> Suas ações falam mais alto do que suas palavras – Se você ocupa uma posição importante na empresa, seus empregados imitarão seus atos, não o que você diz. O alto escalão tem de dar o exemplo. Sozinho, o funcionário encarregado da privacidade não vai gerar o clima de confiança necessário à sua relação com o cliente.

>>> Descubra quem são as pessoas influentes dentro da empresa – As redes de funcionários se formam espontaneamente, e os que exercem forte influência sobre o comportamento e a atitude dos demais não são, provavelmente, os que se acham no topo da organização. Descubra quem são os funcionários a quem os demais procuram quando precisam resolver algum problema.

>>> Faça da sua missão uma tarefa única, simples e unificadora – Você vai conseguir a adesão das pessoas a uma idéia se ela tiver apelo universal e se for, ao mesmo tempo, específica e tangível o suficiente para indicar direção.

>>> Comemore as pequenas vitórias – Ache exemplos de práticas corretas dos valores culturais e compartilhe-os com toda a empresa. Mostre às pessoas como as coisas são feitas na sua organização.

A importância de uma cultura transparente cresce à medida que aumentam a consciência e as expectativas do consumidor. As pessoas hoje fornecem mais dados pessoais do que nunca em interações com empresas e agências do governo. Contudo, suas expectativas em relação aos serviços prestados e à proteção também aumentaram. A empresa que for flagrada fazendo mau uso das informações de que dispõe pode arruinar para sempre sua relação com o cliente.


Fonte: Por Don Peppers e Martha Rogers, in epocanegocios.globo.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...