Redes sociais: a salvação do jornalismo

A partir de três livros lançados no Reino Unido – “Super Mídia”, de Charlie Becket; “Can You Trust the Media?”, de Adrian Monk; “UK Confidential”, de Charlie Edwards e Catherine Fieschi – John Lloyd coloca na mesa a mais recente discussão sobre o futuro do jornalismo mundial, a partir de um olhar britânico.

É fácil entender a preocupação com o velho e bom modo de fazer jornalismo que nos acompanha há 150 anos. Os próprios jornais noticiam a crise que eles enfrentam. É claro que através de um jornal você só fica sabendo da crise do outro, nunca do próprio, mas isso é parte natural de um mecanismo de proteção. Impossível imaginar um jornal divulgando as próprias falências!

Acabo de ler duas notícias que mostram como a crise na mídia mundial vem se aprofundando. Uma delas vem dos resultados apresentados por um Instituto – Enders Analysis – que mostra justamente a crise recente da mídia britânica. Diz o estudo que em 2007 havia 400 mil profissionais de imprensa no jornalismo britânico, isso incluindo TV, rádio, jornal, revistas, empresas de produção e publicidade. Até 2012 a previsão desse mesmo estudo é de que apenas 200 mil sobreviverão trabalhando no setor. Os maiores cortes serão feitos nos veículos impressos.

Em outro jornal, no mesmo dia, li que, segundo o New York Times, o Miami Herald, um jornal de muito prestígio com circulação média de 210 mil exemplares, está à venda! Parece que o grupo proprietário do Miami Herald, a McClatchy Co., tem uma dívida de cerca de US$2 bilhões. A pergunta que o NYT faz é a que nós nos fazemos: quem vai poder comprar os ativos e as dívidas do jornal diante do quadro recessivo do mundo? E o que farão os jornalistas demitidos, incluindo neste pergunta os 200 mil que perderão seus empregos no Reino Unido?

De onde virá a salvação do jornalismo?

Lloyd responde através do livro de Becket quando cita o seu subtítulo: “Salvando o Jornalismo Para Que Ele Possa Salvar o Mundo”. E o mocinho da história, a cavalaria que chegará na hora H somos nós mesmos, cidadãos. Mas não qualquer cidadão, apenas o “jornalista cidadão”. E mais uma vez voltamos ao tema do prossumidor (lembra-se que volta e meia falamos desse termo criado por Alvin Tofler?) que não se contenta mais em apenas receber conteúdos, informação digerida, mastigada e pronta “para servir” como as comidas congeladas que encontramos nos supermercados e que não dão trabalho algum...a gente não precisa nem pensar! É só botar no micro e comer. O jornalismo cidadão elevou esse homem, consumidor tradicional, ao nível de “salvador da pátria”, segundo Becket. Segundo ele, citado por Lloyd, “quanto mais os jornalistas se comportarem como cidadãos, mais forte será o jornalismo”, ou seja, para Becket o verdadeiro jornalista do futuro é o que tem como base a realidade experimentada, de onde o jornalismo cidadão extrai sua legitimidade e sua prática.

Isso quer dizer que as redes sociais – blogs, orkuts e todos os sites públicos e interativos como a wikimedia – são a moderna força do velho e bom jornalismo. Há algo inegável com o qual teremos que aprender a conviver, segundo Lloyd: “a capacidade e a disposição do público para contribuir na produção de sua narrativa. Podemos vislumbrar um mundo onde aqueles que estão ávidos por dizer alguma coisa agora podem fazê-lo, se bem que para audiências muitas vezes restritas”. Restritas ou não, o fato é que o homem comum pode exercitar seu poder de opinar e de tomar partido nas discussões mundiais a partir da prática da sua realidade. É dessa prática que o jornalismo do futuro deverá se alimentar. É dela que virá a salvação do jornalismo que deverá salvar o mundo, segundo Lloyd.


Fonte: Por Yara Peres - sócia e vice-presidente do Grupo CDN, in www.blogdayara.com.br
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