Bons gestores separam o importante do trivial

A única tarefa de maior importância dos líderes é tomar boas decisões. Face à ambiguidade, incerteza e demandas conflitantes, com frequência sob forte pressão de tempo, os líderes precisam decidir e adotar uma ação efetiva a fim de garantir a sobrevivência e o sucesso da companhia. É assim que agregam valor à empresa: exercitando o bom discernimento, tomando decisões e garantindo que sejam bem executadas. O que realmente importa não é o número de decisões acertadas, nem mesmo qual o percentual de acertos nas decisões. Trata-se, em vez disso, do quanto o líder acerta naquelas que são mais importantes.

Os bons líderes não apenas tomam as melhores decisões como também são capazes de discernir quais realmente são as mais importantes e acertam a maioria delas. Assim, executivos eficazes não necessariamente tomam muitas decisões. Mas se concentram no que é realmente importante. Eles são melhores no processo como um todo, que vai desde perceber a necessidade de agir até formular as questões, descobrir o que é mais crucial, mobilizar e energizar os grupos. Também são capazes de fazer uma triagem no tempo e na energia que empregam. Em sua época de GE, Jack Welch costumava dizer que, se não fosse cuidadoso na forma como empregava seu tempo, poderia passar dias no escritório afundado até as orelhas com bobagens burocráticas, sem agregar valor à empresa. Se houver bom discernimento, pouca coisa mais importa. Se não houver, nada mais importa.

Tome qualquer líder. Há boas possibilidades de que você se lembre dele em função de suas melhores ou piores decisões. Roberto Goizueta, ex-CEO da Coca-Cola, foi demonizado por causa da Nova Coca-Cola e tornou a ganhar a sua condição de superestrela corporativa com o auxílio da Coca-Cola Clássica. Michael Dell, fundador da Dell, é o “Sr. Direto”. Carly Fiorina foi pioneira nas fileiras das mulheres executivas. Mas como será lembrada? Por “destruir a formidável cultura da HP”. A liderança é, em seu sentido mais restrito, uma crônica de decisões tomadas.

O sucesso a longo prazo representa a única marca visível do bom discernimento. É a essência da liderança. Não se trata de “a operação foi um sucesso, mas o paciente morreu” ou “ele agiu com brilhantismo, mas o resultado foi fraco”. O juízo alcança o sucesso quando o resultado atinge os objetivos definidos pela instituição. Ponto. Entusiasmo, boas intenções e trabalho árduo podem ajudar, porém, sem bons resultados, eles pouco importam.

Um equívoco célebre no julgamento do que é ou não importante foi cometido por Bill Gates entre o início e a metade da década de 90, quando a internet ganhava o mundo mas não passava do número cinco ou seis em sua lista de prioridades. Por isso, não foi Gates quem desenhou uma estratégia ligada à web para sua empresa. A ideia foi de um funcionário, que escreveu um memorando intitulado “O céu está caindo”. Nele, alerta que a Microsoft sairia dos negócios, a menos que o ouvisse. O documento chegou a Gates, e o resto é história.


Fonte: Por Alexandre Teixeira, in epocanegocios.globo.com
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