Pular para o conteúdo principal

Estar atrás é bom para motivar times e bater metas

Quem praticou – ou pratica – algum esporte competitivo provavelmente já viveu a sensação. Quando você está um pouquinho atrás, parece mais fácil juntar forças para virar o jogo. Ficar muito para trás faz a virada soar impossível. Até manter uma liderança apertada parece mais difícil. Preocupados com as implicações dessas ideias para a motivação de equipes em mercados competitivos, dois professores da Universidade da Pensilvânia resolveram descobrir se elas são verdadeiras ou não passam de uma lenda das quadras. Para investigar o assunto, Jonah Berger e Devin Pope analisaram resultados reais do maior campeonato americano de basquete universitário, o da NCAA, e conduziram testes em laboratório.

No estudo de campo, a dupla pesquisou os resultados de milhares de jogos entre 2005 e 2008 – foram analisadas 6.572 disputas em que a diferença no placar, no intervalo, não passava de dez pontos. Os professores separaram os grupos entre os que estavam apenas um ponto atrás do adversário no meio do jogo e aqueles que estavam em desvantagem maior. Segundo cálculos estatísticos, a expectativa era que os times que estavam atrás deveriam ganhar 46% das vezes. Na realidade, eles venceram a maioria dos jogos (51,3%). Essa capacidade de virada, porém, só se manifestou para a diferença de um ponto. À medida que a desvantagem de um time aumentava, suas chances de derrota se multiplicavam. Aqueles perdendo por seis ou mais pontos no intervalo foram batidos 80% das vezes.

Apesar de a análise ter comprovado a tese inicial, os autores também fizeram uma experiência controlada. A intenção era eliminar influências externas, como a atuação do juiz ou do técnico. No teste de laboratório, duplas de voluntários disputavam um jogo simples, em que vencia quem teclasse mais rapidamente uma sequência de As e Bs durante dois períodos de 30 segundos cada. Os jogadores só conheciam seu desempenho nos intervalos.

O resultado foi ainda mais claro do que o da pesquisa de campo. Depois de informados sobre o placar, no intervalo, todos os jogadores aumentaram seus esforços, mas em proporções diferentes. Os que se aplicaram com menor intensidade foram aqueles que estavam muito à frente. As pessoas que estavam um pouquinho atrás foram as que mais brigaram para virar a mesa. Elas mostraram um empenho quase três vezes maior do que o segundo grupo mais aplicado, o daqueles que estavam empatados.

Segundo os autores, a explicação está na forma como as pessoas se motivam. “Perceber que você está um pouco atrás dá uma referência e permite saber que com um pouco mais de esforço é possível alcançá-la”, diz Berger. Ele afirma que os resultados podem ajudar, por exemplo, a orientar empresas na hora de determinar objetivos para suas equipes. “Não podemos subestimar o poder da psicologia da motivação”, afirma. “Fixar em metas viáveis faz com que as pessoas trabalhem mais.” Ambição exagerada tende a desestimular mais do que motivar. A cenoura precisa estar visível para ser atraente.

NCAA – A associação nacional que reúne e coordena o esporte universitário nos Estados Unidos tem alguns dos campeonatos mais prestigiados do país e, curiosamente, é uma fonte constante para estudos acadêmicos na área de negócios.


Fonte: epocanegocios.globo.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...