Pensando Relações Públicas fora da caixa

Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência, mas em seu blog, o public relations Mike Boehmer, escreveu recentemente um post (em inglês) intitulado "As Relações Públicas precisam de uma campanha de Relações Públicas".

Em suas leituras sobre o que tem sido publicado a respeito do termo relações públicas, Mike percebe que a profissão é muitas vezes mal interpretada e compreendida. Pior1 O que se fala sobre RP contribui para formar uma impressão de que as estratégias e táticas de relações públicas nada mais são do que "perfumaria", algo projetado ou "plantado" para distrair ou desviar a atenção das pessoas sobre a verdade dos fatos.

Na visão do autor, toda essa falta de entendimento sobre as Relações Públicas é culpa nossa, dos próprios profissionais de RP, que aceitamos passivamente estes equívocos a respeito da profissão no mercado, razão pela qual defende (nas entrelinhas) o título do seu post: Uma campanha de RP para as Relações Públicas.

Como fato positivo, Mike revela que organizações como a Public Relations Society of America (PRSA) e a International Association of Business Communicators (IABC) têm tomado medidas para resolver o equívoco. A PRSA oferece uma "Teste de Acreditação em Relações Públicas" (TAEG), que consiste em provas orais e escritas para validar a capacidade do profissional e certificá-lo como apto para o exercício da profissão de Relações Públicas.

Seria mais ou menos algo semelhante ao que a OAB faz para conceder o registro aos advogados. O atual "Exame da Ordem", devidamente regulamentado pela entidade, foi instituído com o objetivo de selecionar profissionais qualificados para exercer a advocacia com proficiência, em prol da sociedade. Hoje, a OAB é respeitada pela sociedade enquanto entidade que legitima o discurso e os interesses da categoria. E por que não um "exame de acreditação" para Relações Públicas e Comunicação Organizacional?

Com formação, mas sem qualificação, não haveria como obter o registro e atuar no mercado, em qualquer área da Comunicação Organizacional. Infelizmente, isso não acontece no Brasil (ainda), mas talvez seja chegada a hora de se pensar sobre o assunto. Tenho visto o surgimento de novas profissões cujas características se assemelham à "gestão estratégica da comunicação e do relacionamento com stakeholders" (RP para mim é exatamente o que está entre aspas), tais como, Compliance, Gerente de Eco-relações, Analista de Networking, entre outras (veja mais aqui). Tudo isto sem contar as novas possibilidades de atuação no campo que tem sido designado como RP 2.0 ou PR Digital (eu prefiro chamar de redes sociais mesmo). O mercado de expande, as oportunidades se apresentam, mas, se não houver capacidade legitimada, o vácuo pode ser grande e as perdas irrecuperáveis.

Não estou certo se seria o caso, como sugere Mike Boehmer, de "fazer uma campanha de RP para as Relações Públicas", mas tenho certeza de que está na hora de repensar a atividade de RP no país. Reposicionar, levantar questões, posicionamentos, iniciativas e ações que agreguem valor à categoria no mercado. Pensar macro e estratégico ao invés de travar batalhas narcísicas de egos inflados. Está na hora de ampliar os horizontes e as discussões que promovam reflexão sobre a evolução e o futuro da atividade profissional de RP e do campo da Comunicação Organizacional. Enfim, se faz necessário e urgente produzir mais conhecimento teórico e empírico sobre a Comunicação Organizacional.

Mais que um convite, fica aqui a provocação: que tal pensarmos RP fora da caixa?
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