Confiança: item básico da felicidade no trabalho

O economista John F. Helliwell é um renomado estudioso de macroeconomia, política monetária e globalização. Autor de How Much Do National Borders Matter? (“Qual a importância das fronteiras nacionais?”), deu aulas nas universidades Harvard e Oxford e hoje é professor da canadense British Columbia. Nos últimos anos, cansado de lidar somente com assuntos áridos, decidiu mudar o foco de suas pesquisas. Começou a estudar os fatores que influenciam a nossa felicidade, um tema comumente tratado apenas por best-sellers de auto-ajuda.

O estudo de Helliwell – baseado em 30 mil entrevistas realizadas no Canadá e nos Estados Unidos – revela que a confiança nos colegas e nos chefes é fundamental para o bem-estar dos funcionários. O economista desenvolveu uma fórmula para medir essa influência, na qual a confiança existente num ambiente de trabalho é avaliada numa escala que vai de 1 a 10. O aumento de um único ponto tem um efeito sobre a felicidade dos funcionários equivalente a um reajuste de 40% em seus rendimentos.

As pessoas tendem a superestimar o papel do dinheiro em seu bem-estar e a subestimar a importância de suas relações diárias, afirma o economista. Quando recebem um convite para um novo emprego, costumam pensar apenas no cargo e no salário. Não dedicam nenhuma preocupação ao ambiente dentro da organização. E as empresas perdem dinheiro ao dar de ombros para o problema, afirma Helliwell. Lembra que estudos anteriores já mostraram que os empregados felizes são mais produtivos do que aqueles que estão de mal com a vida. “Os departamentos de Recursos Humanos preferem se preocupar com problemas periféricos, como a substituição de funcionários que deixam a empresa e festas de aniversário para os que permanecem”, afirma.

O que uma empresa deve fazer para ganhar a confiança dos funcionários e também para melhorar a relação entre eles? A resposta não consta do estudo do economista, mas em entrevista ao Gallup Management Journal ele afirma que, uma vez perdida a confiança, é difícil recuperá-la. Acha, porém, que uma companhia passa a ser vista como mais confiável quando reduz o número das pequenas prestações de conta que impõe aos que nela trabalham. Os benefícios resultantes do aumento de confiança compensam eventuais prejuízos causados por funcionários mal-intencionados.

A prestação coletiva de serviços comunitários pode também melhorar a relação entre os funcionários, assim como a realização de retiros nos quais pratiquem atividades em conjunto, como caminhadas e rapel. É importante que essas iniciativas não sejam impostas pela cúpula da empresa, mas surjam de sugestões de seus colaboradores, o que ajuda a aumentar o seu comprometimento com o negócio.


Fonte: epocanegocios.globo.com
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