Por trás dos rankings das ‘melhores para se trabalhar’

Ninguém duvida que o relacionamento entre as empresas e seus colaboradores é determinante para que os objetivos corporativos sejam alcançados. Entre inúmeras iniciativas para que as organizações tenham mais conhecimento sobre seu negócio e aprimorem suas práticas, está a participação nas listas de ‘melhores empresas para se trabalhar’. Entre os rankings elaborados no Brasil, os que mais repercutem no meio empresarial são os das revistas Você S/A – Exame e Época, cada um com sua seleção. O primeiro é realizado em parceria com a Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), enquanto o segundo é desenvolvido pela consultoria Great Place to Work Institute (GPTW), pioneira na elaboração de prêmios corporativos.

José Tolovi Jr., fundador da GPTW, e Lina Eiko Nakata, da FIA/USP, destacam o que consideram pontos fundamentais no relacionamento entre as empresas e seus públicos de interesse, sobretudo o formado por colaboradores: um bom clima interno, honestidade dos superiores, saber ouvir as propostas e colocá-las em prática, e relacionar a comunicação com tudo isso. Para os especialistas, esses pontos podem tornar as empresas mais atraentes para sua força de trabalho.

Segundo José Tolovi Jr., especializado em organização e uso estratégico de sistemas de informação, vários aspectos compõem uma empresa atraente. “Levamos em conta, principalmente, uma avaliação do ambiente de trabalho realizada a partir de três conceitos: confiança, orgulho e camaradagem. Depois disso, desenvolvemos um modelo criado com base na observação do que as pessoas habitualmente falam sobre o ambiente em que trabalham. A maior parte destaca o lugar onde pode fazer qualquer pergunta, onde os chefes são honestos e éticos e onde se sente respeitado. Confiança atrelada ao relacionamento com o chefe, orgulho relacionado ao trabalho em si e camaradagem na convivência com os colegas. A relação chefe-subordinado, que é calcada em regras justas, tem uma importância muito grande”, explica.

Lina Nakata, especialista em Recursos Humanos, chama atenção para dois fatores. “Em primeiro lugar, a empresa precisa ter um bom clima organizacional e uma boa gestão do ambiente de trabalho, dando totais condições para que o funcionário possa desempenhar suas funções”, enfatiza. “Em segundo, a organização terá de desenvolver uma série de práticas que vão sustentar esse bom ambiente, como uma política de remuneração, benefícios, plano de carreira, assistência de saúde, auxílio a financiamentos, sem contar o atrativo das boas instalações para o trabalho”.

Para aquelas organizações que têm problemas e reconhecem que não estão bem, o recado também é claro: unam os departamentos de comunicação e de recursos humanos, chamem a equipe para uma conversa e avaliem as propostas, mudem a forma de agir e busquem a reciclagem e o aperfeiçoamento, sempre. Segundo Tolovi Jr., o departamento de Comunicação de uma empresa não muda o ambiente, mas pode ajudar. “Precisamos avaliar o estágio da empresa. Muitas vezes, algo parece estar errado, mas não é um fato, e sim uma impressão. Aí entra a comunicação, que muda a percepção e estabelece os critérios que a empresa vai passar a usar. Além disso, a comunicação direta do líder, olho no olho, também tem um peso muito grande”.

“Muitos acham que somente o RH acompanha um processo interno. Em muitas empresas, entretanto, a Comunicação é bem atuante”, lembra Lina. É o departamento que ajuda a definir como explicar uma ação diretamente ao funcionário, desde divulgar que a empresa está participando de uma pesquisa que vai resultar em um ranking, estimulando a participação dos colaboradores para responderem ao questionário, e, por fim, a estratégia para a divulgação dos resultados, mesmo que sejam negativos. “O funcionário fica na expectativa. Portanto, é fundamental o trabalho da Comunicação em conjunto com o RH, já que o RH tem sempre o apoio da diretoria para comandar o processo”.

Cada vez mais, as empresas usam as ferramentas digitais de comunicação e as redes sociais para estreitar o relacionamento com seus stakeholders, uma tendência que, de acordo com Tolovi Jr., vem tomando corpo já há algum tempo. “Hoje, temos presidentes de grandes empresas alimentando blogs abertos aos empregados. Temos intranets muito desenvolvidas, e empresas que facilitam a utilização, por seus empregados, de programas de mensagens instantâneas. Há alguns anos, tais ferramentas eram malvistas, hoje algumas empresas ainda proíbem o uso desses canais, mas aos poucos vão mudar e verão a comunicação como uma forma de integração. É uma tendência natural e continuará crescendo. É exemplar o caso do HSBC, cujo presidente responde aos empregados todos os dias em seu blog. O problema é que muitas empresas nem sabem ao certo o que podem fazer. Acham que as ferramentas e as redes são recursos para jovens e estão distantes do universo corporativo”.


Fonte: Por Marcos Moura, in www.nosdacomunicacao.com
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