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Associação diminui falta de produtos em gôndulas

Quando o consumidor dirige-se ao supermercado e não encontra o produto desejado na prateleira, a irritação e frustração dele transformam-se em prejuízos tanto para o varejista quanto para o fabricante. Estima-se que os lojistas percam aproximadamente 40% das compras planejadas e os fabricantes 35% quando o cliente se depara com a falta de produtos nas gôndolas (rupturas). Para evitar esse problema, responsável por um prejuízo anual da ordem de R$ 12 bilhões em vendas não realizadas, a Associação ECR Brasil desenvolve desde setembro do ano passado a "Campanha do Bilhão". O quarto fascículo, cujo tema retrata os desafios da reposição dos produtos nas prateleiras, já está disponível gratuitamente para supermercadistas, fornecedores e demais integrantes da cadeia de abastecimento no site da entidade, como informou a associação.

"Uma das mais freqüentes causas de rupturas é a falha do reabastecimento de gôndola, ou seja, apesar de a mercadoria estar no estoque de retaguarda, ela não é reposta em tempo hábil. São os famosos últimos 50 metros da cadeia, o espaço entre a retaguarda e a prateleira. Esta situação é responsável por mais de 21% das rupturas - não muito diferente do que se observa em lojas da Europa ou América do Norte", explica Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil.

A falta de produtos nas prateleiras ocorre corriqueiramente em estabelecimentos comerciais de todas as partes do planeta. No Brasil, uma pesquisa realizada pela Associação ECR Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Nielsen, revelou que pelo menos oito em cada cem produtos procurados no momento da compra não estão disponíveis para o consumidor no momento das compra. "A pesquisa foi realizada junto a supermercados de grandes redes, localizados na Grande SP e na Grande Rio, e os produtos pesquisados eram de grandes fabricantes, o que leva a concluir que em outros cenários, num país com dimensões continentais, a falta de produtos nas gôndolas seja muito maior", explica Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil.

A "Campanha do Bilhão" consiste em identificar as principais causas e combater sistematicamente as rupturas por meio da adoção de processos e melhores práticas desenvolvidas e recomendadas pelas empresas participantes. Para ajudar os varejistas a entidade dividiu os temas em cinco fascículos: como resolver/atacar o problema em sua loja; como identificar e cadastrar produtos, como fazer suas previsões de vendas, como desenvolver sua logística para abastecer as gôndolas e como definir o sortimento e o uso do espaço das gôndolas.

A boa notícia é que várias lojas têm colocado em prática essas dicas baseadas nesses fascículos com bons resultados. O Santa Cruz Supermercados, de Votuporanga, interior de São Paulo, é um deles. Com quatro lojas na cidade, o estabelecimento, que possui um cadastro com mais de 45 mil produtos, adquiriu um novo sistema de informação com banco de dados em SQL postgree para servidor Linux e corrigiu as divergências no cadastro. Antes os itens eram lançados utilizando-se a referência da nota fiscal. Agora, é realizado com base no código do produto. "Conseguimos diminuir as rupturas, determinar quais marcas não 'giravam' e agora dispomos de um cadastro atualizado", diz o responsável pelo estoque, Anderson Nobre.

Para combater as rupturas, de acordo com Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil, é necessário encontrar a causa-raiz do problema. Reduzir ou eliminar a falta de produtos demanda análise detalhada da cadeia de abastecimento, identificando as falhas que ocorrem em qualquer um dos processos relacionados ao abastecimento. Algumas soluções em conjunto com os fornecedores, segundo ele, podem ajudar a evitar as ocorrências. Uma delas é a identificação e cadastro de produtos e envolve desde o uso correto do código de barras até a descrição do produto e abreviações utilizadas. É necessário também estar atento à previsão de vendas e à demanda, assim como ao pedido mínimo. "Quanto mais detalhadas forem as informações sobre o momento e o local da ocorrência, mais fácil será determinar as causas e propor soluções", analisa Czapski.


Fonte: empresas.globo.com/empresasenegocios

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