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Frieza germânica no Caso Fox

No mês passado, o presidente da Volkswagen no Brasil, o alemão Thomas Schmall, de 44 anos, deu uma entrevista à Rede Globo sobre os incidentes com oito proprietários de carro Fox. Os consumidores tiveram seus dedos mutilados ao puxar a argola do banco traseiro do veículo. O executivo disse que o manual do automóvel alertava para o risco e que as pessoas que perderam parte do dedo da mão não leram as instruções corretamente. Ao escolher o presidente como porta-voz, a idéia da empresa foi investir na simbologia que o nome dele teria entre os consumidores brasileiros. Não traria tanta confi ança o depoimento de alguém que não fosse o presidente, diz Junia Nogueira de Sá, diretora de assuntos corporativos e imprensa da Volks.

Consultores ouvidos por você s/a avaliam que faltou traquejo a Thomas e por isso ele não cumpriu bem o papel que lhe coube naquele momento. O brasileiro comum não lê manual de instruções e o executivo precisa entender como as coisas funcionam no país em que ele está, diz Ciro Dias Reis, presidente da Imagem Corporativa, de São Paulo, e ex-diretor de assuntos institucionais da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Não deixa de ser uma consideração o fato de o presidente tratar do caso, mas ele precisa estar preparado, saber se posicionar direito, completa Edna De Divitiis, da EPR Comunicação, de São Paulo.


Relação emocional
Qualquer executivo de imagem, ou mesmo quem vai ser o porta-voz, tem de saber que, num momento como o do episódio Fox, o profi ssional da empresa precisa se colocar ao lado do consumidor. E não deixar que ele se vire para resolver o problema, sob pena de prejudicar sua imagem e o prestígio da companhia. A Volks abriu mão da soberana fi losofi a de que o cliente tem sempre razão, diz Olga Curado, da consultoria Curado & Associados, de São Paulo.

Na Basf, outra multinacional alemã, com sede em São Paulo, o media training ajuda os estrangeiros a entender o que, em sua maneira de comunicar, pode soar mal aos ouvidos dos jornalistas e consumidores brasileiros. Temos executivos alemães, argentinos e americanos e precisamos alertá-los constantemente para as diferenças culturais, diz Gislaine Regina Rossetti, diretora de comunicação da companhia. Ali, um fonoaudiólogo também ajuda no acerto da dicção, na apresentação do executivo diante de uma câmera e há treinamento para o gestual ao falar. O presidente da Volks falou com um sotaque carregado e agiu com uma frieza que não combina com os consumidores brasileiros, gente que tem uma relação emocional com o carro.


Fonte: Por Marco Justo Losso, in vocesa.abril.com.br

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