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Como está seu Índice de Felicidade Interna Bruta?

Diz uma cooperativa de médicos brasileira que “o melhor plano de saúde é ser feliz”. O rei do Butão provavelmente não é cliente dela, mas certamente concorda com isso. Tanto que, há anos, solicitou a um consultor que desenvolvesse uma métrica muito peculiar para mensurar o nível de desenvolvimento dos menos de 1 milhão de habitantes de seu reinado, o ‘Índice de Felicidade Interna Bruta’ (FIB). Espremido entre a China e a Índia, e circundado pela cordilheira do Himalaia, o Butão tem renda per capita anual em torno de US$ 2 mil e é considerado um dos menores e menos desenvolvidos países do mundo, conforme os tradicionais Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Produto Interno Bruto (PIB).

Mais espiritualizado que a maioria dos ocidentais – ou não, o soberano Jigme Singye Wangchuk deve entender o cidadão como um eixo múltiplo de relações, movido também por anseios de comunicação, de convivência e de paz – itens que não estão à venda num mercadinho ou em feiras livres. Ele considera o desenvolvimento material paralelo ao crescimento pessoal e espiritual, e contempla o ser humano como algo além de uma força produtiva e um elemento consumidor, que possuiria simplesmente fome de comida e sede de bebida. Por isso, o Estado butanês inclui entre seus objetivos a felicidade do povo, baseada em quatro pilares: proteção do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, preservação da cultura e bom governo. Talvez seja uma utopia filosófica o tal FIB, mas é fato que o Butão arrancou-se da pobreza esmagadora sem explorar seus recursos naturais; seus índices de analfabetismo e mortalidade infantil despencaram; o turismo interno está crescendo; e a economia local vai de vento em popa. Isso poderia explicar por que Wangchuk foi indicado pela revista ‘Time’ como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

E o que isto tem a ver conosco, profissionais de comunicação?
Trabalhamos muito para alavancar vendas de produtos, promoção de idéias, valorização de marcas e imagem de nossa organizações, e acabamos esquecendo do nosso FIB. Quantas vezes deixamos de lado nossos projetos pessoais de escrever um livro de poesia, adotar um cachorro, estudar música ou esperanto, gerar filhos, começar um trabalho voluntário ou fazer aquela superviagem pelo Oriente? Não podemos pensar que dá tempo de fazer rascunhos da vida e correr o risco de não termos tempo de passá-la a limpo. A música dos Titãs é bonita, mas quem pretenderia ler em seu próprio epitáfio “queria ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer”...? Aqui entre nós, sem felicidade cai muito o nível de produtividade!

OK. Nunca teremos uma vida totalmente sem estresse e preocupações, especialmente trabalhando no mercado de comunicação, em que temos que estar sempre atentos a demandas de clientes, mudança de cenários, atuação de concorrentes, evoluções tecnológicas e novidades deste ou daquele setor. E, ainda, cuidar da saúde, estar bem-disposto, dar atenção à família e aos amigos, ser feliz e contente. Ufa! Parecem até tarefas de gincana... Mas talvez seja possível, se formos um pouco menos auto-exigentes e complicados, se procurarmos ouvir e olhar as coisas com atenção, porém com simplicidade.

O papel do comunicador pode estar em simplificar, em ajudar a desatar os nós das informações e dos relacionamentos com tantos públicos de interesse – os de nossas organizações e os particulares. Não temos de concordar com Schopenhauer, 190 anos após suas conceituações pessimistas, e achar que “o mundo é o inferno”. Mas buscar fazer aqui, na Terra, o nosso paraíso de realizações – profissionais, sim, e também pessoais, amorosas e pelo bem universal. Você já conferiu seu Índice de Felicidade Interna Bruta? Você já sorriu hoje? Faz bem à saúde! E está em tempo!


Fonte: Por Marcia Cavallieri - integrante da equipe de Comunicação Institucional – Planejamento e Pesquisa da Petrobras, in www.nosdacomunicacao.com
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