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Bons líderes devem ser seguros e transparentes

Na história da humanidade exemplos de grandes líderes não faltam, nas mais diversas áreas - seja na política, na religião, no meio estudantil, no seio familiar ou, claro, no meio corporativo. Hoje, mais do que nunca, as organizações buscam profissionais com caraterísticas de liderança para ocupar posições estratégicas.

Algumas pessoas têm essas aptidões naturalmente. Outras precisam desenvolvê-las. O fato é que o termo "chefe" está perdendo terreno. "Pessoas com esse perfil têm como lema obter resultados custe o que custar", indica Edson Rodriguez, especialista em gestão empresarial e diretor da Thomas International. "Tanto o chefe como o líder são capazes de trazer resultados. A diferença está no custo e na qualidade do produto final", assegura Rodrigues.

Segundo ele, uma equipe motivada produz de maneira coesa e eficiente, trabalhando de acordo com o estilo do seu gestor. Ao contrário do dito "chefe opressor". Neste caso, prossegue Rodriguez, os indivíduos trabalham contrariados, cometem erros, geram dispêndio de horas extras. "E, para piorar, transferem esta instabilidade para os clientes. No final das contas, a qualidade do trabalho é ruim e origina custos extras para a empresa", explica o consultor.Para Rodriguez, um líder positivo é aquele que transmite segurança, delega tarefas com clareza, não é centralizador e trabalha em conjunto com seu grupo. Como conseqüência dessa postura, a equipe atua em sinergia, transformando-a em qualidade e produtividade e criando um ambiente tranqüilo e saudável para se trabalhar.

O melhor de cada um
Na opinião do consultor, o líder não precisa ser necessariamente a estrela de sua área, mas precisa saber tirar o melhor de cada integrante do grupo. "Ele deve extrair o melhor de cada um, incentivar as iniciativas e estimular o bom relacionamento", afirma Rodriguez. "Um líder nato é descobridor e formador de talentos. Permite que as pessoas da sua equipe se sobressaiam e brilhem. Sendo assim o grupo estará sempre em evidência dentro da empresa", acrescenta.

As empresas, muitas vezes, estão tão focadas obter resultados que não se atentam aos seus próprios colaboradores. Assim, mesmo as áreas de gestão e recursos humanos não conseguem identificar profissionais com perfil de liderança.

Neste sentido, é papel do gestor descobrir talentos. Afinal, é ele quem está no dia-a-dia junto com sua equipe e conhece quem são seus pares. Assim , caso identifique dentro do grupo alguém com características de liderança, deve estimular cada vez mais estas habilidades. "O líder não precisa ter receio da concorrência", adverte Rodriguez. "Estimular, incentivar e treinar um integrante da equipe para talvez substituí-lo é uma prática que deveria ser seguida. O que poucas pessoas sabem é de que, fazendo isso, todos ganham: a empresa e seus funcionários."

O consultor diz que promover alguém que conhece a área é uma prática a ser seguida pelas companhias. "O líder, assim, partirá para novos desafios e agregará benefícios a sua carreira", afirma.

Nem todas as pessoas, porém, têm características de liderança, mesmo quando treinadas nesse sentido. Cargos como gerente, diretor e presidente dão status e são cobiçados. Mas os executivos precisam ter cautela. Forçar uma promoção a algum cargo para o qual não se tenha aptidão pode ser desastroso na carreira e, pior, repercutir negativamente também na vida pessoal. Caso perceba que não tem perfil de liderança, o profissional não deve se abater ou recriminar. Se insistir, provavelmente se tornará um chefe opressor, que confunde liderança com tirania. E esse estilo, definitivamente, é o mais detestado por qualquer equipe.


Fonte: Por Márcia Maria da Silva, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 11

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