Como a logística trabalha para êxito dos Jogos na China

Só com os atletas, os Jogos que começam hoje em Pequim não se realizariam. Para o êxito do maior evento esportivo do mundo, muitos dos equipamentos utilizados em diversas modalidades tiveram de cruzar o globo para chegar à China. Uma das maiores movimentações logísticas da atualidade coube à globalsportsevents, divisão da DB Schenker.. A empresa alemã, com atuação também no Brasil, cuida da operação que envolve 10 mil atletas de 200 países das Olimpíadas e jogos Paraolímpicos de Pequim.

Nada pode dar errado - sob pena de a medalha ser perdida antes mesmo de a competição ser iniciada. "Já imaginou a responsabilidade por algum atleta abandonar uma competição porque seu equipamento se perdeu?", questiona o presidente da DB Shenker no Brasil, Eric Brenner. "O serviço exige alto profissionalismo; não existe erro."

Em relação à participação brasileira, a DB Schenker firmou parceria com as confederação de Vela para o transporte dos equipamentos dos atletas. Para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o trabalho consistiu no transporte e na logística dos materiais que serão utilizados pela delegação brasileira na Vila Olímpica e na Casa Brasil, espaço de convivência montado pelo COB e pelo governo federal para divulgação do país durante os Jogos Olímpicos.

A empresa também lida com a documentação, fiscalização entre as alfândegas chinesa e a brasileira. "O esportista deposita grande expectativa tanto no envio quanto no recebimento dos equipamentos em perfeitas condições, pois isso representa a esperança de vitórias nas competições", destaca a gerente da divisão globalsportsevents (GSE) da DB Schenker, Adriana Grechi.

"Uma das principais características do trabalho nas Olimpíadas é o cuidado diferenciado com cada embarque, pois cada carga tem "dono, nome e rosto." Funcionários bem treinados acompanham cada passo do material em portos, aeroportos, aduanas e postos alfandegários até chegar às mãos dos atletas.

O trabalho da DB Schenker para os Jogos Olímpicos de Pequim envolveu o transporte marítimo de 1,5 mil TEUs (contêineres de 20 pés); carregamento aéreo de 2,5 mil toneladas de carga provenientes de países de todo o mundo para a China. A empresa mobilizou 900 funcionários - de diversos países - trabalhando em tempo integral, além de 20 especialistas em eventos internacionais. A língua para facilitar o entendimento é o inglês.

Na China, conta com 16 mil metros quadrados de área de área coberta para armazenagem de equipamentos e 10 mil metros quadrados de área a céu aberto para estocagem de contêineres. O suporte logístico contou com filiais operando em 155 países.
O presidente da DB Shenker no Brasil não revela o montante gasto na logística do evento. "Os balanços ainda não estão fechados e seria prematuro dar um valor agora", afirmou. Brenner disse, no entanto, que o custo é bem mais alto que uma mercadoria comum, pois o transporte de material esportivo envolve alta complexidade.

Além dos jogos de Pequim, a DB Shenker participou de grandes competições esportivas internacionais. Começou com as Olimpíadas de Munique, ao ser selecionada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Participou, em 2000, dos Jogos Olímpicos de Sidney. Desde então, a DB Schenker foi a responsável pela logística pelas Olimpíadas de Atenas (2004), Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno em Salt Lake City (2002) e Torino (2006). Os jogos Pan-Americanos do Rio e última Copa da Alemanha também teve participação da DB Shenker.


Fonte: Por Wagner Oliveira, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2
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