Pular para o conteúdo principal

O futuro da competição e da estratégia

Prestes a ter seu último livro, The New Age of Inovation lançado no Brasil pela Editora Campus, C. K. Prahalad falou sobre a necessidade das empresas reverem suas posições e planos para serem competitivas no futuro. Prahalad é consultor e membro de conselhos de administração de empresas de classe mundial, tem entre seus clientes companhias como Citigroup, Colgate Palmolive, Cargill, Motorola,
Whirlpool, Oracle, Philips e Unilever e autor de best-sellers da literatura empresarial, como Competindo pelo Futuro e A Riqueza na Base da Pirâmide.

O especialista começou sua palestra esclarecendo seus pontos de vista e suas linhas de pensamento, já que percebe que muitas vezes os espectadores sentem falta dessa objetividade em eventos de estratégia e administração. Em suas análises, ele trabalha sempre pelo viés da antecipação, sem se preocupar demais em registrar o que já aconteceu. É o que ele chama de se concentrar nas práticas futuras e não nas melhores práticas. Além disso, ele se foca no processo de criação de valor. “Estudo a relação empresa-consumidor, as mudanças atuais e no que elas implicam. E também gosto de ver as coisas globalmente. Acho que mesmo que uma empresa não opere globalmente, ela precisa pensar globalmente, já que não pode impedir que seus concorrentes sejam globais”, disse para explicar os fundamentos de tudo o que iria falar nas três horas seguintes do encontro.

Para Prahalad, inovação e estratégia estão intrinsecamente ligadas e tudo isso passa por como as empresas enxergam as classes C, D e E. Ao ignorar estes consumidores no Brasil, por exemplo, se ignora um mercado de 80% da população. A idéia principal é usar o direcionamento para estes mercados como estratégia de inovação: criar coisas para a base da pirâmide que sejam úteis e desejáveis também para as outras classes de consumidores, que é um desafio real para os CEOs atuais.

O questionamento começa ao se pensar em qual perfil de empresa seria mais interessante: uma em que se tenha poucos recursos, mas aspirações muito elevadas ou outra em que os recursos sejam abundantes, mas as aspirações baixas. “recursos, por si só, não têm significado absoluto, eles dependem e estão ligados diretamente à aspirações”, explica C.K. indicando que talvez o melhor caminho não seja o mais óbvio. “Sem aspirações não há transformação, nem empreendedorismo”.

Com isso posto, Prahalad colocou os quatro princípios de como é possível conseguir mais com menos e virar o jogo:

- criar um clima empreendedor, com aspirações maiores que os recursos
- orientar sua estratégia orçamentária de acordo com o que você imagina para o futuro, mesmo que tenha que fazer desvios no meio do caminho até ele.
- começar das próximas praticas e não das melhores ou das atuais.
- inovar com base numa caixa de areia, onde os parâmetros sempre mudam. Inovação deve partir dos limites que existem para ela

A partir destes quatro princípios, se cria um ponto de vista diferente sobre um cenário que parece óbvio.


Fonte: Portal HSM On-line
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …