Pular para o conteúdo principal

Marketing de relacionamento: maior lucratividade para empresas vencedoras

"É preciso conhecer as necessidades e desejos do seu cliente". Essa é a primeira lição que a professora Denise von Poser prega aos alunos nos cursos de pós-graduação e MBA em Gerenciamento da Comunicação com o Mercado na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A consultora de marketing de relacionamento lê cerca de 100 livros por ano. Disciplinada ao extremo, Denise não se dá ao direito de achar. "Nunca ache, procure saber", diz. O assunto de estudo que mais a fascina é comportamento do consumidor. Autora do livro "Marketing de Relacionamento - Maior lucratividade para empresas vencedoras", ela afirma categoricamente: "Manter clientes satisfeitos e leais é simples".

Em sua opinião, não existe mais "foco no cliente". "O foco é dele, do cliente. Nós compramos por dois motivos: necessidade e desejo. Se a empresa não entende essa demanda, não tem como atender", adverte. Primeiro, é preciso descobrir quais segmentos de clientes quer se manter fiel. "Durante muito tempo, era comum ouvir o cliente é rei, o cliente é rei. Ok, mas nem todo cliente é rei. Existem aqueles que não têm freqüência e outros que quando aparecem dão trabalho", destaca a professora que critica: "Muitas empresas ainda não entenderam que o consumidor não quer comprar produtos ou serviços, ele quer solução. Soluções em forma de produtos e serviços. E só é possível entregar essas soluções se há o conhecimento de suas necessidades e desejos". Muitas vezes o consumidor aceita até pagar mais para ter algo que valoriza, no tempo que precisa. Ainda, na sua opinião, não basta entregar o feijão-com-arroz. "O que vai dar aquele empurrão especial na sua marca será o famoso aspecto intangível. O que mais conta é o que não se conta, o que não se pode medir. O cliente gosta da sua marca por um conjunto de coisas que ela consegue entregar".

Segundo ela, em relação a expectativas do cliente, existe um paradoxo. "O consumidor tem uma expectativa em relação à sua marca. Se há atraso, mesmo que pequeno, é um problema, um enorme transtorno. Entretanto, se a entrega é adiantada, mesmo que pouca coisa, ele fica superfeliz", observa. "Nenhuma estratégia de negócio vai dar certo se você não traçar um paralelo com sua vida pessoal. Afinal, estamos lidando com gente", diz. Para ela, o marketing repete as regras da vida. "Quando você quer agradar alguém e convida para um jantar na sua casa, você prepara tudo com antecedência e carinho. Você gosta dessa pessoa, quer surpreender, quer que ela volte mais vezes e se sinta à vontade, então irá se preocupar com os detalhes, para agradar. Na relação empresa-cliente é a mesma coisa. Quem você quer trazer para sua casa, no caso, loja ou empresa? Como você quer tratar essa pessoa?", pergunta Denise, que polemiza, "poderia dizer que o processo de manter clientes satisfeitos e leais é trabalhoso e complicado, mas é simples". As estratégias de marketing de relacionamento para maior lucratividade "são simplíssimas, mas não se enxerga o óbvio: é o cliente quem dá o tom", diz. O empresário precisa estar preparado para entregar soluções que o cliente valorize e que sejam significativas na vida dele. "Se fizer esse trabalho direito, não precisará gastar com propaganda. Os consumidores se encarregarão de fazer isso por ele, através de um boca-a-boca positivo", garante.

Ouça aqui a entrevista concedida por Denise von Poser à Consumidor Moderno.


Fonte: Por Ticiana Werneck, in www.consumidormoderno.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...