Crise econômica? A receita é mais comunicação

Na crise é preciso somar esforços para sustentar os negócios e impulsionar as vendas. É um momento em que o consumidor está mais inseguro e retraído. Os funcionários, desconfiados. Os concorrentes, mais agressivos. Os acionistas, ansiosos como nunca. A comunicação pode ajudar sua empresa a superar as dificuldades e a aproveitar as oportunidades em todas essas frentes.

É comum as empresas pensarem em investir em comunicação em tempos de prosperidade. No momento de crise, quando o foco passa a ser a agilidade para resolver os problemas no curto prazo, a comunicação às vezes é ignorada. Pior, deixa de ser vista como fator estratégico e passa à condição de ferramenta descartável. É um sério equivoco. Uma boa parcela da solução para os problemas que sua empresa enfrenta está em utilizar a comunicação com planejamento e criatividade.

Todos nós sabemos que o custo para atingir o consumidor em tempos de crise precisa ser mais baixo do que em períodos mais confortáveis, quando o vento está soprando a favor. A hora da dificuldade é o momento de buscar novas alternativas, de desafiar sua agência de comunicação a apresentar boas soluções e bons resultados.

O primeiro ingrediente nessa receita é a informação. Informação para subsidiar um diagnóstico preciso, que oriente as decisões. É importante acompanhar os movimentos do mercado e compreender a percepção que os consumidores têm da empresa e também dos concorrentes. Para isso servem as pesquisas de imagem e de mercado, as análises do noticiário de imprensa e o monitoramento das manifestações dos consumidores na web. Para medir os resultados.

Um dos papéis da comunicação é ajudar você a conhecer melhor o consumidor e a estar próximo a ele. Descobrir como tomar decisões, avaliar como reage às suas mensagens, saber o que pensa sobre sua marca e seus produtos. Principalmente, ouvir o que ele tem a dizer e ajudar a empresa a responder com o respeito e a atenção que ele merece. Na crise, mais do que nunca, saber dialogar é uma vantagem competitiva.

Estabelecer uma conversação produtiva com seus públicos implica buscar alternativas aos investimentos na publicidade tradicional. Num momento de crise, outras ações podem compor um mix de comunicação mais abrangente e eficaz. Ações que mobilizem o consumidor e incentivem seu engajamento com a marca, como eventos, promoções concursos on-line, parceria com veículos de comunicação para a promoção de seminários ou a criação de publieditoriais, campanhas de links patrocinados, ações de viralização com foco nas mídias sociais da web. Não faltam formas criativas para abrir e consolidar canais de comunicação.

O cenário de incerteza na economia motiva decisões difíceis. O pior dos exemplos: demissão de funcionários e fechamento de unidades produtivas. Nesses momentos, a comunicação assume importância máxima. A empresa precisa se apoiar num processo cuidadoso de comunicação que, sem mascarar a realidade, consiga mitigar os impactos negativos gerados por esse tipo de decisão.

A imagem da empresa e a percepção que os consumidores têm dela por sua trajetória, suas ações e seu discurso pesam muito num momento de crise como o atual. Reduzir preços e fazer promoções nos pontos-de-venda podem ajudar, mas seus concorrentes, com certeza, já estão fazendo a mesma coisa. O que influencia a decisão de compra, principalmente em momentos de crise, não é apenas o preço. A imagem da empresa e a percepção que os consumidores têm dela por suas ações pelo seu discurso pesam tanto quanto as promoções em ponto-de-venda.

A briga pela atenção preferencial do consumidor é grande. A reputação da empresa pode ser decisiva na hora de criar um diferencial que influencie a decisão do compra. A balança vai pender para o lado das empresas que forem capaz de alcançar um nível mais alto de confiança na mente do consumidor. Quem contar com o capital da credibilidade poderá escapar, em grande medida, à carnificina da guerra de preços. A comunicação está aí para isso.


Fonte: Por João Rodarte - presidente da CDN Comunicação Corporativa, in Revista Consumidor Moderno
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