O joio e o trigo

O evento mais importante das relações públicas norte-americanas é o Spring Seminar, realizado anualmente pela Arthur W. Page Society, que é uma comunidade que congrega os comunicadores das maiores empresas e agências do mundo e um grupo escolhido de professores doutores, reconhecidos mundialmente por suas pesquisas e obras. Agora, em abril, em Nova Iorque, lá estavam, entre os participantes do encontro, os professores James E. Grunig, Paul Argenti e Howard Gardner.

O tema deste ano foi as relações públicas em meio as incertezas causadas pela crise financeira mundial, discutido por estrelas do jornalismo econômico internacional, autoridades do governo norte-americano e especialistas de setores que estão no olho do furacão, especialmente a indústria automobilística. Destacaram-se, entre os speakers, Vijay Vaitheeswaran, correspondente da The Economist, nos Estados Unidos, e Charles Gasparino, colunista do New York Post e editor da CNBC.

Foram dois dias em que se falou muito de gente como Bernard Madoff, ex-presidente da Nasdaq, enjaulado por ter desaparecido, tal como um mandrake pós-moderno e do mal, mais de 50 bilhões de dólares. E, como uma decorrência dos crimes financeiros, falou-se, também, da forma como se comportaram, em meio à crise e aos seus escândalos, os comunicadores empregados nas empresas, protagonistas das lambanças.

O jornalista Charles Gasparino, especialista em Wall Street, autor do livro "King of the Club: Richard Grasso and Survival of New York Stock Exchange", afirmou para a platéia de comunicadores das maiores corporações do mundo que a crise financeira revelou o pior tipo de relacionamento entre as empresas e a imprensa. Um tipo de relações públicas especializada em esconder a verdade sobre os problemas financeiros e fazer a maquiagem retórica e corporal de gente sem conserto. Um trabalho de mediatraining sujo que prejudicou, como se todos fossem iguais, a imagem e a reputação dos comunicadores empresariais e das relações públicas.

Já do lado dos jornalistas especializados em economia, apareceram mal aqueles profissionais que não passavam de simples difusores de informações elaboradas de maneira mais sofisticada pelas empresas financeiras em crise. Uma espécie de release pós-moderno que esconde o trabalho de jornalista malfeito ou engajado em interesses não-jornalísticos.

O corresponde da The Economist, nos Estados Unidos, Vijay Vaitheeswaran, lembrou que é hora das corporações comunicarem os seus valores éticos e manterem o que fazem de melhor. Em resumo que é a hora de sustentar a boa comunicação empresarial.

As exposições e os debates do Spring Seminar, da Arthur W. Page Society, semearam entre os comandantes da indústria e da teoria da comunicação empresarial global que é o momento de radicalizar a separação entre os trabalhos de relações públicas e de jornalismo, para o bem da reputação das duas atividades. Pela simples razão de que os campos das relações públicas e do Jornalismo - competentes, legais e legítimos - têm objetivos diferentes. No ar, ficou a sensação de que, em tempo de muito joio, é preciso separar o trigo do trigo.


Fonte: Por Paulo Nassar, in www.aberje.com.br
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