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Como transformar estratégias em realidade

Entre as empresas dos países incluídos nos Bric, as brasileiras foram as que mais investiram no desenvolvimento de estratégias de gestão e de negócios em 2006, relativamente ao PIB. E isto está atrelado ao fato de que gerar resultados consistentes e duradouros exige das empresas, cada vez mais, a adoção de práticas modernas de gestão e a aderência a programas de governança corporativa dentro do conceito da sustentabilidade. Mas nada disso será efetivo se as empresas não puderem contar com profissionais capacitados e motivados, que se sintam parte integrante do time.

Em um cenário de forte competitividade e com elevado grau de exigência, sobressair à concorrência requer a definição de estratégias ainda mais assertivas e eficientes. A eficácia destas, porém, em boa parte dos casos, fica comprometida no estágio de implementação. Pesquisas apontam que menos de 10% delas são efetivamente executadas pelas empresas.

Os motivos que levam a esse hiato entre planejamento e prática convergem para a falta de alinhamento estratégico da companhia. Há dados que mostram que 95% da mão-de-obra não compreende a estratégia da empresa; 70% das organizações não alinham os incentivos da camada média de seus executivos à sua estratégia; e 85% das equipes de comando despendem menos de uma hora por mês na discussão das estratégias.

É imperativo mudar os paradigmas nas técnicas de gestão. Tão importante quanto estabelecer as estratégias é definir, exatamente, e em detalhes, de que forma e com quem tal caminho será seguido. A identificação da deficiência apontada por este modelo exige que as empresas adotem um novo padrão de gestão, que deve convergir para o total alinhamento com a estratégia definida.

O primeiro passo é esmiuçar o que está por trás destas verdades, de modo que elas se tornem mais presentes no dia-a-dia de cada colaborador da empresa.

Na seqüência, deve-se executar a decodificação e o esclarecimento da estratégia para todos os níveis e áreas da empresa. Entender a estratégia como um todo e saber claramente como deve ser a atuação de cada área e de cada indivíduo no processo de construção de organizações mais efetivas é primordial.

A partir deste estágio começam as grandes diferenças. Uma vez entendido o todo e sabendo-se dos papéis específicos, o terceiro passo engloba a criação de métricas e a definição das responsabilidades de cada função, visando o alcance das metas. São critérios de mensuração que têm como finalidade tornar inteligíveis e mensuráveis os principais objetivos para cada setor da empresa, esclarecendo quanto eles impactarão em suas metas específicas.

É nesta fase que se evidencia a interdependência entre as diversas áreas da empresa, em que, além de saber qual o papel de cada setor na consecução da estratégia, deve ficar claro qual será o esforço necessário de cada função para suportar os objetivos comuns.

Ao se definir a seqüência das atividades básicas para cada negócio, consegue-se enxergar com clareza aquelas que vão garantir a base das operações, bem como aquelas de apoio. Com isso feito, a empresa ganha ao reduzir, ou eliminar, questionamentos e facilitar o processo de desenho de sua estrutura para refletir como ela de fato "acontece".

A última etapa deste modelo é o envolvimento das pessoas e dos principais executivos. A gestão estratégica das equipes, a utilização das ferramentas corretas de incentivo e a retenção de talentos são pontos fundamentais neste processo. Nesta fase, as lideranças devem atuar como facilitadores e auxiliar seus subordinados diretos na repercussão da estratégia em toda a companhia.

A atuação da área de recursos humanos, neste contexto, torna-se muito mais estratégica, com envolvimento desde a definição das políticas até na facilitação do processo de mudança. Sua participação deve ser extremamente ativa, o que envolve a elaboração da estrutura de cargos adequada para suportar os processos, a definição dos profissionais mais indicados para ocupação de tais posições, o aperfeiçoamento dos sistemas de remuneração e assim por diante.

O ano de 2008 não deve apresentar todos os fatores positivos conjunturais que atuaram nas principais economias mundiais, mas será tão mais positivo para aquelas empresas que forem bem-sucedidas na implementação de seus planos de negócios e que consigam transformar suas estratégias em realidade. Feliz 2008 para todos nós!


Fonte: Por Jean-Marc Laouchez, in Gazeta Mercantil, 22/01/2008
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