Pular para o conteúdo principal

Pesquisa aponta nova postura dos consumidores de alta renda

Pesquisar o comportamento do consumidor não é uma tarefa simples. Como fazer então para analisar o comportamento dos profissionais que ocupam cargos de maior importância das grandes companhias, com cada vez menos tempo disponível para participar de pesquisas?

O comportamento de consumo do mercado de alta renda também precisa ser estudado, mas a dificuldade é grande em conseguir o contato com esses profissionais. Os principais motivos que impedem a aproximação do entrevistador aos profissionais do mercado de alta renda são: falta de segurança, intensa vida profissional, além de permanecerem cada vez mais em suas casas desfrutando do conforto do lar com a família, afirma levantamento realizado pela Fractual Consulting.

Pesquisas mostram que a maioria dos profissionais de alta renda não costuma estar entre celebridades, grandes eventos e nem em colunas sociais. Cada vez mais avesso a estes eventos, os grandes executivos estão sempre buscando novos desafios em seus ramos de atividade e dividem a maior parte do tempo entre sua atividade profissional e a família.

Mudança de hábitos e perfil
Separar classes sociais é mais difícil para uma empresa de pesquisa de mercado. Ainda mais hoje no Brasil, onde as classes de maior renda se confundem devido ao aumento do público de alta renda. Esta realidade se dá principalmente em função do favorável mercado brasileiro e pela constante aquisição e fusão de empresas no país.

O perfil destes profissionais, porém, não é parecido com o das celebridades que fazem questão de aparecer com a roupa e o carro mais caro do momento. De acordo com pesquisa da Fractual Consulting, os executivos de alta renda preferem muitas vezes não citar suas preferências por serem sofisticadas demais para algumas pessoas.

Em diversas pesquisas com este público o entrevistador não consegue obter a opinião real muitas vezes porque o executivo não quer ser visto como soberbo. “Este executivo não vai comparar uma companhia aérea brasileira com uma do Canadá. Por isso, a informação dele pode não ser totalmente verdadeira”, alerta Celso Grisi, Diretor–Presidente da Fractal Consulting e professor da FEA- Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

Lazer e trabalho caminham juntos
O hábito destes profissionais apresenta curiosidades. Na contramão dos que preferem gastar dinheiro com luxo, viagens caras e grifes estrangeiras, a Fractual detectou que é cada vez mais comum encontrá-los – quando possível – em grupos seletos onde há pessoas com quem têm alguma afinidade.

Além disso, é crescente o aumento na taxa de permanência deles no lar por causa de segurança. Em seu domicílio, é possível ter acesso a todo tipo de informações, sem contar a paixão pela sua vida profissional, já que ele levanta cedo, dorme tarde e curte o seu trabalho. “Este profissional está cada vez mais apegado à gestão do seu patrimônio e se preocupa mais com a sua carreira profissional que com a fortuna”, destaca Grisi durante o V Fórum ABA de Pesquisa, que aconteceu no Rio de Janeiro.

Os consumidores de alta renda possuem características que valorizam o tempo, momentos de lazer e, por isso, é raro terem espaço na agenda para responder pesquisas. Não só pelo pouco tempo disponível no dia-a-dia, a semelhança das pesquisas de mercado ajuda a afastá-los dos pesquisadores. “Normalmente eles estão sob fadiga ou estresse e isso reduz a sua disponibilidade. Além disso, as pesquisas são extensas e as solicitações são freqüentes”, diz Grisi.

Quando o dinheiro não faz diferença
A dificuldade de encontrar e obter informações do público de classes mais altas pode ser reduzido caso a recompensa seja interessante para o entrevistado. O primeiro benefício que surge como atrativo para o entrevistado é uma quantia em dinheiro. Tratando-se de um público onde este “atrativo” nunca falta e, pelo contrário, muitas vezes sobra na carteira, esta tarefa é ainda mais difícil.

Considerando que incentivos ou benefícios financeiros não funciona para este público, a Fractual entende que a informação é a melhor moeda de troca. “É preciso oferecer algo relevante e pertinente como o comportamento da tributação no país, por exemplo”, aponta o Diretor-Presidente da Fractual Consulting.

Ambiente influencia o resultado
Tudo isso deve estar por trás de uma boa abordagem inicial. Esta talvez seja uma das peças principais para conseguir espaço na agenda destes executivos. Mensagem escrita, agendamento telefônico, conteúdo e abordagem até a identificação do entrevistador através de carta de apresentação e crachá são formas de conseguir a atenção.

De acordo com Grisi, o melhor local para a coleta de informações é na casa do entrevistado ou em lugares onde ele possa se concentrar no assunto. “Na casa dele pode ser em um escritório ou biblioteca. Mas se tiver que ser no local de trabalho, é melhor que seja após o expediente”, ressalta.


Fonte: Por Thiago Terra, in www.mundodomarketing.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...