Outro jornalismo é possível

Tenho refletido. Relativizado piamente a formar de promover informação. É possível, muito provável, que a imprensa permaneça a acompanhar os "bondes" de várias histórias e a promulgar o divórcio irrevogável com a notícia. Hoje o caso Isabella, ontem a mãe, que não havia colocado droga alguma na mamadeira da filha, mas por isso quase foi linchada pela população e na cadeia pública, e outrora a Escola Base, está sem jeito, tendo seus personagens com a vida devassada, até hoje escondidos, amedrontados pela "força" que a imagem ou a palavra possam exercer. Ao mesmo tempo fico orgulhoso de ver as grandes reportagens, as grandes matérias, na TV, no impresso e, por que não, no rádio.

A pauta bem elaborada, o compromisso com a notícia e a desenvoltura com que cada trama é amarrada. Sinto saudades dos Audálios, dos Kotschos, dos Cacos (do Rota 66), e tantos outros que assumiam o juramento do jornalismo e o compromisso com o fato, com questões inexoráveis ao tempo. Tempo este que hoje passa mais depressa, é verdade. A notícia tem pressa e os veículos têm que acompanhar o ritmo alucinante das metrópoles, dos mercados, das nações e do mundo. Mas será que o que recebemos hoje realmente é informação? Será que a quantidade de manchetes, lides, mensagens e títulos abres, escaladas, berradas e aclamadas configuram a nossa eterna vigilância diante da notícia?

Tenho refletido. E toda vez que vejo a possibilidade de uma Escola Base se repetir, ou mesmo a espetacularização de um fato que, confesso, não sei para que fins é feita, minhas "antenas", como diria o Juvenal, recebem um sinal de que algo pode estar errado. Perco as contas de quantos e-mails, portais, revistas semanais, jornais e telejornais, radiojornais, outdoors, vejo, ouço, sinto em um único dia... Será que absorvemos? Na verdade, sim. Mas como tudo que é demais, isso pode nos fazer mal. Ao invés de informação, o que acabamos por fazer é, no fim, reunir um "entuxado" de quase nada, com quase coisa nenhuma. As manchetes, talvez, ainda sirvam, mesmo que simplesmente para julgar.


Fonte: Por Eduardo Freire, www.adnews.com.br
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