É tempo de reconstruir a imagem do profissional de marketing

Transcrevo aqui a íntegra do artigo "É tempo de reconstruir a imagem do profissional de marketing", escrito por Marcel Sacco, Diretor de Marketing Grupo Schincariol, publicado esta semana na revista Meio & Mensagem. Marcel passa a assinar como colunista do periódico semanal falando especificamente sobre o tema Marketing. Seguindo a política editorial da revista, ele substitui Luca Cavalcanti, Diretor de Marketing do Bradesco, que ficou à frente da coluna durante o período de um ano. Em seu primeiro artigo ele demonstra sua preocupação quanto ao fato dos próprios profissionais de marketing deixarem que a imagem da profissão esteja sendo utilizada como sinônimo de enganação. Vale a pena ler e comentar:


"Quando recebi o convite para assumir esta coluna, dois sentimentos se manifestaram de imediato: o prazer e a satisfação de fazer parte da equipe de colaboradores de um veículo tão prestigiado em um espaço já ocupado por respeitados profissionais do marketing; e outro, de expectativa ao assumir a missão de escrever sobre um tema que aprecio tanto e ser lido por vários conhecedores do assunto e inúmeros amigos. Será divertida e desafiadora essa experiência e farei o possível para corresponder aos anseios de leitores tão qualificados. Portanto, Regina, Sales e todo o time do Meio & Mensagem, obrigado pela oportunidade.

E já que o marketing é o tema central deste espaço, a primeira reflexão que gostaria de dividir com os leitores do M&M é: como profissionais como nós, responsáveis por construir a imagem de produtos vencedores, de empresas respeitadíssimas, de marcas que são referência de comportamento, podemos deixar que a nossa própria imagem esteja sendo definida quase como sinônimo de enganação?

Refiro-me a expressões que certamente todos já ouviram, como “isso é coisa de marqueteiro”, “isso é puro marketing” e outras tantas, todas traduzindo exagero, mentira, engodo.

Creio que o que mais contribuiu para construir essa crença — me perdoem os envolvidos no tema — foram as “extravagâncias” da recente história do nosso marketing político, onde, de fato, alguns profissionais da área abusaram um pouco ao classificar artimanhas como marketing, ao exagerar em atributos que seus candidatos não tinham, e que, dada sua imensa visibilidade e uma vez desmascarados pelo infalível crivo do tempo, reforçaram a idéia de que marketing é a arte de vender gato por lebre.

É verdade, também, que na frente dos negócios vez ou outra aparecem produtos e campanhas irresponsáveis e mentirosas que tentam atribuir valores a produtos ou serviços que não os carregam, confundindo marketing com publicidade enganosa, diminuindo a atividade e reduzindo sua importância. Há ainda aqueles que se vangloriam de grandes “jogadas de marketing”, guerrilheiras, até criativas em alguns casos — é preciso reconhecer —, mas que, por deixarem a ética em segundo plano, mais contribuíram para difamar do que construir nossa carreira.

Marketing é mais do que isso. Acredito na nossa profissão como fator do desenvolvimento humano e econômico, com poder de mudar a vida das pessoas, proporcionar mais qualidade de vida, mais conforto e mais prazer, com poder de aumentar o valor das empresas, gerar empregos e acelerar o desenvolvimento dos nossos mercados e do nosso país.

Interessante notar o descompasso entre a percepção de nossa profissão pelo mundo empresarial e o público geral. No primeiro, conceitos e filosofia já foram adotados por empresas inteiras além das fronteiras dos departamentos, contribuindo para o crescimento e perenidade dos negócios. O marketing nas empresas deixou de ser uma matéria para ser uma filosofia de atuação moderna, com foco no mundo externo, destacadamente consumidores e comunidade. Recente pesquisa feita pelo M&M destacou criatividade e ousadia como características mais marcantes dos profissionais da área, que não por acaso são os que mais freqüentemente assumem posições de liderança nas corporações onde trabalham. Para o público geral, no entanto, nossa imagem é negativa e ainda somos vistos como aproveitadores, vendedores de sonhos e, não raro, herdeiros naturais da Lei de Gerson. É uma situação no mínimo curiosa, quando consideramos que nosso foco maior está exatamente naqueles que nos vêem de maneira mais desconfiada.

Talvez seja o momento de fazermos algo a respeito, já que estamos mais uma vez entrando em período eleitoral — época em que a imagem negativa de nossa profissão é exacerbada. Melhor do que qualquer outro profissional, temos consciência do valor de uma imagem sólida e bem construída. Sabemos que essa construção é feita de detalhes e toma tempo. É tempo, então, de começarmos. Muito prazer".


Fonte: Por Marcel Sacco, in www.meioemensagem.com.br
2