Consumo de não-duráveis cresce 9% no 1º trimestre

Na crise, o consumidor segue a mesma lógica do mercado anunciante. Enquanto muitas empresas optam por planejar as compras de mídia a curto prazo, os brasileiros em geral também aderem às compras "picadinhas". Pesquisa realizada pela empresa LatinPanel, que monitora semanalmente 8,2 mil domicílios no País, mostra que os brasileiros aumentaram em 15% a frequência com que foram ao supermercado no primeiro trimestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008. Ao contrário do que se poderia esperar, porém, esse fator - que demonstra uma preocupação de consumir de acordo com as necessidades imediatas - se refletiu num aumento de 9% no consumo de bens não-duráveis. A classe DE foi a principal responsável por essa expansão (9%), seguida pela C (8%) e a AB (6%).

As categorias que encabeçaram o crescimento do consumo nos três primeiros meses do ano foram os produtos de limpeza para o lar e alimentos (11% em volume), a cesta de bebidas (7%) e higiene e beleza pessoal (6%). "Há 20 anos que, em qualquer crise, os mercados de beleza e higiene pessoal crescem", conta Ana Claudia Fioratti, diretora-geral do LatinPanel.

De acordo com a pesquisa, a tendência de consumir mais dentro do lar, que já se verificava, se acentuou com a crise. O consumo de bebidas e alimentos dentro de casa entre janeiro e dezembro de 2008 ante 2007 cresceu 14%, enquanto o fora de casa aumentou 9%. Segundo Ana Claudia, desde 2004, é a primeria vez que essa inversão ocorre. Isso significa que as pessoas estão gastando menos com lazer e viagens e que produtos como TV paga e internet rápida estão conseguindo aumentar a sua penetração: entre janeiro e dezembro de 2008, o número de lares que assinam os pacotes de TV por assinatura mais banda larga, combinados, cresceu 141%; o de banda larga, 53% e o de TV a cabo, 22%.

Outro dado importante para o mercado publicitário mostra que, em 57% da categorias, a marca líder está presente no carrinho de consumidores de todas as classes, inclusive das mais baixas, que não podem errar. "A classe A/B é mais experimentadora. A classe média é muito ligada à questão de marca. Em termos de marcas que coexistem, novas fragrâncias, novos sabores, versões diferentes, é a classe A/B normalmente que mais faz essa experimentação", explica a diretora da LatinPanel.


Fonte: Por Paula Ganem, in www.meioemensagem.com.br
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