Pular para o conteúdo principal

Utilizando o conflito como elemento catalizador de mudanças

Mudanças organizacionais profundas inevitavelmente produzem conflitos e normalmente são evitados. Mas estudos demonstraram que o uso inteligente deles ajudam o gestor da mudança a ser bem sucedido na empreitada.

Para dominar o conflito e transformá-lo em um catalizador de mudanças, adote as seguintes práticas:

Construa um container que mantenha o grupo junto
O conselho que damos àqueles que estão iniciando uma mudança organizacional profunda é criar uma estrutura segura para manter o grupo junto ao longo dos dias estressantes pelo qual passarão. Para uma empresa global de serviços com a qual trabalhamos, uma série de viagens realizadas para que os funcionários pudessem se conhecer melhor, sem qualquer tipo de impedimento, funcionou como o referido container.

Estimule vozes dissidentes
Às vezes, dissidentes possuem idéias valiosas. Encontrá-los e colocá-los no centro das atenções foi uma das ações importantes na estratégia de mudança cultural colocada em prática pelo CEO de uma grande empresa varejista nos Estados Unidos. Essa empresa tomava as decisões de maneira centralizada; ela decidia o que vender e como vender. Mas esse CEO percebeu que essa política reprimia a inovação dentro dela. Ele herdou uma organização que estava acostumada a fazer as coisas segundo o manual de procedimentos e sua missão era colocá-la numa nova era, na qual inovações sugeridas e aplicadas nas lojas seriam recompensadas.

Soube que havia um número de gerentes gerais de lojas que sempre tomavam a iniciativa para que as coisas fossem feitas de outro modo. Costumavam não ser muito populares entre os colegas porque não seguiam as regras. Mas o CEO os adorou, porque o desejo deles de inovar para atender às necessidades dos clientes locais serviu como modelo a ser difundido.

A ação gerou conflito numa organização que sempre fazia tudo conforme o script. Mas foi um conflito saudável e forçou aqueles que insistiam em adotar o modelo antigo a se confrontar com o sucesso do novo modelo.

Devolva a tarefa
Certo CEO era amado e respeitado por seus subordinados, e estava sempre disponível para resolver disputas. Mas a empresa cresceu e o próprio CEO viu-se numa emboscada, pois os conflitos surgiam um após o outro: entre a área de design e vendas, produção e design e entre profissionais de mídia impressa e on-line.

Ele então percebeu que se fosse para a empresa crescer mais, tais conflitos teriam que ser resolvidos pelos próprios funcionários e não decididos através de suas intervenção direta. E foi assim que teve que ser feito. E funcionou.

Aumente a tensão
Às vezes, alguma tensão é necessária para deixar um conflito transparecer, especialmente aqueles que, se não resolvidos, podem afetar a performance da organização.

Uma grande empresa de serviços tinha o hábito de recompensar de forma significativa sócios antigos. Isso ocorria mesmo para aqueles que já não geravam receitas compatíveis com o custo que proporcionavam.

O CEO forçou os sócios a tomar uma decisão crítica: se iriam continuar com a tradição da empresa de recompensar generosamente sócios antigos não produtivos ou se prefeririam que a recompensa ficasse atrelada à produtividade, independentemente do tempo de casa. No início, eles ficaram irritados. Mas esses passos os forçaram a ter uma difícil mas crucial conversa sobre produtividade, recompensa e, conseqüentemente, sobre o futuro crescimento da empresa.


Fonte: Por Karen Lehman e Marty Linsky, in www.hsm.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...