As mídias sociais e a imprensa

A revista Time, no fim de 2007, escolheu você como personalidade do ano. Isso mesmo: você, eu, todos nós que estamos conectados à internet. A escolha da revista reflete o início da nova era de compartilhamento do conhecimento pelos meios digitais, sem fronteiras geográficas e, conseqüentemente, de mudança no eixo do poder. É a hora e a vez dos cidadãos e consumidores reverberarem as suas opiniões na velocidade e na imensidão da internet, impactando a política, os negócios, a imprensa e todas as relações sociais no mundo ‘real’.

Aqui no Brasil, a Textual realizou uma pesquisa, com a colaboração de seus parceiros regionais Interface Comunicação Empresarial, de Minas Gerais, e Influence Imprensa e Relações Públicas, do Rio Grande do Sul, exatamente para dimensionar o impacto das chamadas mídias sociais, como blogs e redes sociais, na cobertura da imprensa.

Recorrendo à democrática Wikipédia, a definição de um blog parece um tanto fria: “Um weblog, blog ou blogue é uma página da web, cujas atualizações (chamadas posts) são organizadas cronologicamente de forma inversa (como um diário). Estes posts podem ou não pertencer ao mesmo gênero de escrita, referir-se ao mesmo assunto ou ter sido escritos pela mesma pessoa.”

Os blogs são mais do que isso, certamente. São, hoje e já há algum tempo, ferramentas de comunicação utilizadas por indivíduos, comuns ou não, que tornam-se editores e redatores e têm, por vezes, milhares ou milhões de leitores assíduos. No mundo todo, hoje, são 70 milhões de blogs, segundo a Technorati, e a cada dia são publicados 1,5 milhão de posts. É a principal ferramenta da web 2.0 e sua importância tem sido subestimada em alguns casos ou superestimada em outros. A relação das empresas e da imprensa com os blogs ainda está sendo construída. Não há um consenso sobre o papel que eles desempenham na comunicação e como devem ser tratados.

Na nossa pesquisa, a primeira pergunta era: os conteúdos das mídias sociais (blogs, Orkut, Youtube etc.) influenciam a pauta da imprensa brasileira? A resposta de 82% dos jornalistas entrevistados foi positiva. Eles buscam, principalmente, informações que ainda não chegaram à grande imprensa. Ou seja, o furo de reportagem. Entre os interesses dos jornalistas que realizam consultas periódicas às ferramentas, seguem, por ordem de importância, “tendências de comportamento”; “posições pessoais de autoridades/personalidades”; e “personagens para matérias”. Ainda segundo a pesquisa, mais da metade dos jornalistas visita, com regularidade, até cinco blogs, e 34% assinam algum blog, recebendo conteúdo de forma automática. Sobre as redes sociais, 54% dos entrevistados deram nota 3 às informações obtidas em redes sociais (quando poderiam escolher de zero a cinco).

E a empresa? Deve colocar o blogueiro no mesmo patamar de importância de um jornalista de um grande veículo com o qual tem contato há anos? Se um blog fala mal da sua empresa ou do seu produto, é melhor ouvi-lo, dar a sua versão para os fatos, aprender com aqueles posts, fazer uma análise da tendência daqueles comentários. É cada vez maior a integração do SAC 2.0 com a assessoria de comunicação 2.0. Desprezar a voz que vem das mídias sociais é, no mínimo, abrir mão da possibilidade de captar tendências do mercado. Ou ignorar aquela ‘fumacinha’ que pode ser o estopim de uma crise.

Sem dúvida, vivemos uma grande fase de aprendizado, de construção dos relacionamentos via web. Erros e acertos se multiplicarão. Mas o pior caminho é se manter a distância, à margem dessa nova realidade, acreditando que é melhor só participar quando os parâmetros estiverem mais bem definidos. Como se diz por aí, a web é beta e está em permanente mudança. Por isso, é melhor embarcar logo nesse trem.


Fonte: Por Carina Almeida - jornalista e sócia-diretora da Textual Serviços de Comunicação, in www.nosdacomunicacao.com
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