Pular para o conteúdo principal

Tolerância como prescrição médica

Um domingo desses, num passeio pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fui surpreendida com um convite para visitar um jardim sensorial. Sem dúvida, não me privei da experiência. Com uma venda nos olhos, fui guiada por uma deficiente visual e descobri uma beleza antes inexplorada utilizando o tato e o olfato. Após concluir o circuito e retirar a venda, dei uma rápida olhada ao redor e constatei como a visão pode ser traiçoeira. Tenho de admitir que as plantinhas não me chamariam a atenção apenas com os olhos.

Agradeci muito a minha guia sorridente pelas descobertas e prometi voltar mais tarde para a oficina de argila, que seria realizada também com venda nos olhos, ministrada por uma artista cega. Eu, que havia ido apenas fazer uma caminhada para relaxar, acabei refletindo o resto do dia sobre minhas deficiências. Parei para analisar se estou vendo, ouvindo e percebendo direito o mundo ao redor.

A percepção cognitiva interfere diretamente no comportamento das pessoas, pois é a partir da leitura e da interpretação que fazemos da realidade que tomamos nossas decisões. Nossas experiências anteriores e nosso modelo mental interferem em nossa forma de perceber o mundo e, conseqüentemente, influenciam as nossas ações.

Intuitivamente, distorcemos aquilo que vemos, pois temos a tendência de enxergar o que esperamos, ou seja, buscar confirmações de nossos pontos de vista e ignorar os pontos contraditórios. No mundo corporativo, essas ‘tendenciosidades’ geram resistências e conflitos. As pessoas agem para confirmar e perpetuar as próprias crenças.

Precisamos reconhecer nossas deficiências e relativizar nossas percepções para garantirmos a boa saúde do ambiente organizacional. Ao nos colocarmos no lugar do outro, admitindo que não há verdade absoluta, daremos um importante passo no sentido da ‘cura’. Que tal praticar tolerância como prescrição médica?



Fonte: Por Camila Pires, in www.nosdacomunicacao.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...