Pular para o conteúdo principal

Pesquisas para análise dos relacionamentos

Continuando a coluna anterior, comentarei as pesquisas para avaliação de relacionamentos com os públicos de interesse, uma das formas de mensurar os resultados de comunicação.

Para avaliar relacionamentos com os públicos de interesse, podem ser utilizadas tanto pesquisas quantitativas como qualitativas. Linda Hon e James Grunig (Universidades da Flórida e de Maryland, respectivamente), em seus textos divulgados pela internet, chegam a sugerir questões e pautas para essas sondagens. As perguntas propostas por eles para identificar a natureza dos relacionamentos (troca ou comunal) e os quatro indicadores de qualidade de relacionamento (confiança, mútuo controle, satisfação e comprometimento) são bastante claras e diretas e, para ser plenamente eficientes, basta que se faça algumas adaptações de linguagem. Essas pesquisas são normalmente realizadas para se verificar resultados a longo prazo, ou seja, de dois em dois anos, em média.

Mas sabemos que, muitas vezes, há necessidade de se apresentar a evolução de um trabalho em muito menos tempo. Para esses casos, recomenda-se reunir todas as comprovações de esforços por bons relacionamentos, tanto por parte da empresa como do público, e compará-los de tempos em tempos. Vou dar um exemplo para comunicação interna: podemos relacionar eventos internos promovidos, ações de responsabilidade social interna, abertura de ambientes da empresa para reuniões do sindicato, e-mails e outros documentos contendo elogios ou sugestões de empregados, entre outros. Sobre os elogios e as críticas à equipe de comunicação ou ao seu trabalho feitos por empregados nos corredores da empresa ou em outras ocasiões informais, sugiro que os comunicadores solicitem que sejam documentados, isto é, que peçam ao manifestante que encaminhe por escrito sua opinião. Esses documentos, reunidos a tantos outros esforços também documentados, poderão indicar se o trabalho está sendo positivo ou mesmo se vale a pena dar continuidade a um projeto.

Também podem ser reunidos os documentos que comprovam um esforço favorável por parte do público para manter ou melhorar o relacionamento com a empresa. Se uma comunidade ou um funcionário convida um gestor ou a organização para um acontecimento que extrapola os limites da empresa, trata-se de uma iniciativa simpática, que mostra o interesse pela harmonia na convivência. Se um funcionário, espontaneamente, pronuncia-se publicamente demonstrando orgulho pela empresa ou tece a ela um elogio, é sinal de que o clima entre esses atores está positivo. Se a equipe de comunicação dessas empresas indicou o aprimoramento das relações como um dos principais objetivos de seu plano de trabalho, terá um bom sinal de que está percorrendo um caminho correto.

A sondagem em curtos períodos de tempo permite a reflexão necessária durante a execução de programas, mas deverá ser reforçada pela pesquisa a longo prazo, que mostrará o retorno de atividades voltadas para aprimorar o relacionamento entre a organização e seus stakeholders.

A quantidade e a qualidade das opiniões sobre a forma como as organizações tratam seus públicos (e vice-versa) são resultados de responsabilidade, sobretudo, dos comunicadores. Outros meios de mensurar o impacto da comunicação existem e serão comentados, mas não posso deixar de lado essa inovação proposta por Grunig e Hon, que talvez seja a que faz mais referência à razão maior do trabalho da comunicação organizacional e das relações públicas – garantir harmonia nos relacionamentos.



Fonte: Por Gilceana Galerani - gerente de comunicação empresarial da Embrapa Soja, em Londrina, in www.nosdacomunicacao.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...