Organizações também ficam doentes

Melhorar o funcionamento das empresas é o objetivo do livro Patologias En las Organizaciones, escrito por três especialistas em gestão de pessoas e no mundo empresarial, e que agrupa as principais doenças que afetam as organizações, indicando a maneira de curá-las. Para seus autores, Javier Fernández Aguado, Marcos Urarte e Francisco Alcaide existem três tipos de medicina para se aplicar como tratamento: preventiva, curativa e paliativa. Mas acima de tudo, deve existir o desejo de cura.

Aguado usa um interessante método no livro, que consiste em tomar o ser humano como paradigma para compreender o que se passa na empresa. Assim como a vida humana não é eterna, as empresas também não o são; umas têm maior longevidade que outras, mas todas possuem um ciclo vital. As organizações não se dividem em perfeitas e imperfeitas, todas precisam melhorar em algum ponto, embora algumas não reconheçam suas limitações e outras sim, procurando se cuidar e se corrigir da melhor maneira possível.

Os autores do livro estão convencidos que 50% da solução para um problema se baseia em uma boa análise. Nesse ponto, recomendam pôr em ação o modelo Gestão do Imperfeito, que permite visualizar com precisão o que ocorre na empresa.
Entretanto, como acontece com as pessoas, as empresas também se sentem tentadas a se automedicar, o que pode ser recomendando para doenças mais simples, a fim de não se perder tempo nem dinheiro. Porém as enfermidades mais graves exigem especialistas que, no âmbito empresarial, pode ser um assessor, consultor ou coach (treinador pessoal).

Os autores propõem uma classificação das diferentes patologias como ponto de partida:

- Segundo o momento: podem acontecer antes, durante ou depois da gestão. Por exemplo, existem empresas que dão à luz, mas desde o início a criatura (empresa) apresenta problemas resultantes de mau acompanhamento na gravidez (não foram seguidos hábitos salutares, como análises de mercado, discussões com pessoas experientes, etc.

- Segundo a idade: cada etapa (infância, adolescência, maturidade e velhice) traz problemas diferentes. Os problemas habituais das empresas mais novas são em geral de natureza econômica. Nas mais adultas, ao contrário, sobra capital mas faltam sonhos.

- Segundo a gravidade: podem ser leves, sérias ou muito sérias. Algumas enfermidades humanas necessitam apenas de alguns dias de cama, outras, de operações cirúrgicas.

- Segundo as possibilidades de cura: existem as doenças, curáveis, degenerativas e terminais. Os autores explicam que existem patologias para as quais, no momento, não há cura, portanto, é preciso suavizar o mal da melhor maneira possível.

- Segundo a doença: pode ser física, psicológica ou psiquiátrica. Costuma-se dizer que as piores são as da alma. O mesmo ocorre com as empresas.

- Segundo a procedência: existem patologias endógenas (internas) e exógenas (externas). As primeiro ocorrem, por exemplo, quando os cargos executivos são ocupados por dirigentes incompetentes.

- Segundo o tamanho e/ou a propriedade: existem as grandes empresas, as médias, pequenas e muito pequenas, e as familiares. Nas grandes o problema em geral resulta na burocracia.

- Segundo a localização: finanças, recursos humanos, marketing, jurídico, estratégia, comunicação ou informática.

- Segundo a área de funcionamento: próprias do aparelho respiratório, circulatório, digestivo. Por exemplo, o estresse, a ansiedade e a depressão são patologias dos sistema nervoso.

- Segundo a falta/ excesso de nutrição: existem instituições cujo problema se centraliza na falta de proteínas; não possuem uma estrutura financeira que dê respaldo ao projeto.- Segundo a freqüência: podem ser esporádicas, endêmicas ou epidêmicas. Um exemplo dessas últimas são as patologias próprias do setor da construção (onde existe o maior número de acidentes de trabalho), o do setor da saúde (os profissionais do setor médico são afetados pelo estresse mais do que o habitual).

- Segundo a rapidez e duração: dividem-se em agudas e crônicas. Existem organizações que se descuidam e perdem algum cliente (empregado) por falta de atenção (trato) por parte de algum funcionário (executivo), ou seja, padecem de uma enfermidade aguda, que se manifesta com rapidez e é de curta duração.

- Segundo a propriedade: pública ou privada. Nessa segunda classificação a lógica mercantilista, implacável em muitas ocasiões, impõe práticas que podem afetar as pessoas dando lugar a anorexias ou depressões institucionais.

- Segundo a nacionalidade: podem ser nacionais ou multinacionais. Existem doenças típicas das instituições nacionais; deixar as coisas para a último hora, e outras que só acontecem nas estrangeiras, menor criatividade diante das dificuldades.

- Segundo a finalidade: lucrativas ou não . As não lucrativas foram, em alguns casos, um meio para conseguir um fim pessoal às custas de terceiros (os mais desfavorecidos).

Por último, e a partir dessa classificação, o livro aborda 41 patologias, do mal de Alzheimer até a surdez, passando pela cegueira, esquizofrenia e obesidade.
Após a descrição sob o ponto de vista médico de cada uma dessas enfermidades, seguem-se as medidas próprias de uma consulta médica: diagnóstico: descrição empresarial do mal que afeta a organização; causas: explicação dos motivos que fazem surgir cada uma das patologias; sintomas: indícios que dão as pistas para se descobrir quais os problemas que existem na companhia. Tratamento: recomendações que tendem a sanar ou aliviar a situação delicada que vive a empresa.


Fonte: Por Expansión, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9
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