Pular para o conteúdo principal

Empresa só é responsável por acidente de trabalho se for negligente

É comum pensar nas empresas como culpadas quando ocorre um acidente de trabalho e, por isso, elas teriam o dever de indenizar a vítima ou seus familiares. Será mesmo assim? Cada vez mais, os juízes de segunda instância têm se mostrado neutros nessa questão, de acordo com a advogada trabalhista Ana Paula Souza, do Peixoto e Cury Advogados. Se a empresa for negligente e omissa em relação à segurança, terá, sim, segundo os juízes, que arcar com indenizações. Mas caso forneça os equipamentos de proteção adequados, treine seus empregados para usá-los e fiscalize o cumprimento das normas, não há por que considerá-la culpada no caso de um acidente.

Foi o que aconteceu recentemente no interior de São Paulo. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas, julgou improcedente o pedido de indenização dos familiares de um funcionário que faleceu enquanto exercia seu trabalho. No local onde ele fazia manutenção de ônibus havia uma valeta para a realização dos serviços, que não foi utilizada. Em vez disso, ele usou um macaco hidráulico que resultou na queda do veículo. O juiz relator do processo, desembargador Eurico Cruz Neto, entendeu que neste caso a culpa foi apenas da vítima, por agir com negligência, e a empresa não teria por que arcar com a indenização. 'O direito da vítima nasce somente com a culpa de qualquer grau do empregador', disse Cruz Neto.

Para prevenir acidentes e indenizações é preciso oferecer equipamentos de segurança, mas não só isso. É fundamental treinar a equipe para usar os equipamentos de forma correta e fiscalizar o cumprimento das normas. Além disso, é bom documentar a retirada dos equipamentos e as sessões de treinamento, para o caso de eventuais processos judiciais.


Fonte: Por Adriana Fonseca, in empresas.globo.com/empresasenegocios

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...