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Peregrinação em prol da publicidade digital

Mesmo com o avanço e as milhares de possibilidades que a comunicação digital possibilita, o mercado permanece reticente. Prova disso são os míseros 2,8% que a publicidade na web representa diante do montante investindo em todas as mídias, mesmo com investimentos crescendo 45%. Todos reconhecem a importância da internet para os negócios, mas a verdade é que poucos aplicam ou se arriscam a colocar dinheiro nela.

Ao longo de 2007 foram contabilizados R$ 527 milhões em investimentos em mídia online no Brasil, 12,13% acima do que se previa no mercado. Até o final de 2008, a expectativa é que os recursos aplicados neste meio cheguem a cerca de R$ 712 milhões. Já foi o tempo em que a ferramenta internet para campanhas e ações deveria ser mais considerado nos planejamentos de mídia.

Para ensinar e fomentar o mercado, principalmente de anunciantes porque as agências podem estar no eixo Rio-São Paulo, mas os empresários não necessariamente, o IAB Brasil deu início hoje a uma peregrinação em vários Estados onde realizará seminários regionais. O primeiro é Porto Alegre.

Na avaliação estratégica feita no final do ano passado e que pautaria as ações de 2008, a entidade descobriu gaps de conhecimento em diferentes mercados no Brasil. “Mesmo no Rio de Janeiro, que é um grande pólo e próximo do movimentado mercado de São Paulo, há muito a mostrar”, diz o presidente do IAB Brasil e também diretor-geral do Terra, Paulo Castro.

A idéia é ajudar a distribuir a informação e fazê-la disseminar de maneira inteligente em várias regiões ainda carentes de dados sobre investimentos em publicidade na internet. Esses Estados poderiam e têm potencial para investir mais, buscar experiência na web e não fazem porque não conhecem as vantagens deste canal.

O que a entidade tem procurado desenvolver é uma visão de qual a importância do meio internet como mídia. Afinal, são cerca de 40 milhões de usuários das mais variadas classes sociais. “É a emergência da internet como mídia que tem massa crítica e ao mesmo tempo permite segmentação de público, atinge todas as esferas da população. Apesar disso, ainda hoje, dentro deste canal o investimento é desproporcional a sua importância na vida das pessoas”, completa o presidente do IAB Brasil.

Castro assume meia culpa do próprio mercado também em relação à abordagem feita nos últimos anos aos anunciantes. De acordo com ele, o discurso atrelava a publicidade muito à tecnologia e a proposta agora é aproximar o modelo aos termos tradicionais de marketing, falar de audiência, de pessoas que podem ser atingidas, ou seja, aplicar conceitos mais próximos da realidade dos mídias das agências, dos compradores de campanhas, dos anunciantes.

O evento deve passar por outros mercados considerados emergentes pela entidade como Brasília e Goiás, mas ainda sem datas definidas.

Falta coragem e gente disposta
Marcelo Sant’Iago, diretor de novos negócios da MídiaClick, é bem mais enfático em relação aos investimentos na internet. “O mercado nacional tem uma tendência em ser altamente conservador, mesmo quando se tem 40 milhões de pessoas na internet a participação no bolo publicitário é baixa e está muito concentrada na novela das oito, em duas revistas semanais e dois jornais”, diz o executivo.

Segundo ele, há uma falta de interesse em boa parte não só dos executivos e agências, mas do marketing de anunciantes em arriscar e tentar coisas novas. Para Sant’Iago, a situação é cômoda nas duas pontas – agências e anunciantes – para mexer no que está acontecendo na hoje na linha da receita. “Acho natural que grandes marcas tenham um pouco de cautela em entrar em coisas muito novas já que elas não têm muitas vezes o apoio necessário”, revela.

Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa – empresa considerada referência na internet -, aposta que o caminho está nas pessoas. Na visão dele, algumas companhias já têm verdadeiros evangelistas da internet porque têm apoio dentro da organização. “Ninguém tem paciência para saber o que é tudo isso que acontece na web, eventualmente aparecem evangelistas, que pensam diferente e articulam isso. Mesmo a Tecnisa não está embebedada disso, mas o marketing, a equipe formada de pessoas, fazem as coisas acontecerem”, diz.

O executivo da construtora lembra que investir nesses novos meios que surgem com o passar dos anos dá trabalho e cansa, porque é preciso aprender a “tomar porrada” dos consumidores. “A companhia precisa ter suas crenças, até erra, mas quando os princípios são bons, vale a pena”, garante.


Fonte: Por Eduardo Vasques, in www.consumidormoderno.com.br

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