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Os piores produtos de 2007

Todos os anos a Consumers International, a única organização global e independente de defesa dos consumidores, promove a votação “The International Bad Product” (Os Piores Produtos Internacionais). Nessa edição, o troféu ficou com a Mattel, devido ao megarecall de 21 milhões de brinquedos pelo mundo em apenas 5 semanas, devido a falhas de design e uso de chumbo em excesso – um dos modelos retirados do mercado possuía 200 vezes a quantidade permitida.

Pior, o CEO Robert Eckert foi acusado de não colaborar com as investigações realizadas pelo congresso americano sobre a segurança dos produtos de sua empresa. Ainda, se num primeiro momento a China foi responsabilizada pelo escândalo, em setembro a Mattel assumiu alguns desvios em seus projetos originais. Foi uma admissão parcial já que admite a responsabilidade de apenas 11 dos 21 milhões de recalls. Para a CI, trata-se de “um caso clássico de se desviar da responsabilidade”, e ainda, “não importa de quem é a culpa, mas sim que a segurança do consumidor foi comprometida”.

A Coca-Cola ficou com o segundo lugar com sua água Dasani, que descobriu-se ser nada mais que “água da torneira filtrada” – mas seus anúncios e seu preço dão ao consumidor outra impressão. Em 2004 no Reino Unido, a Coca foi obrigada a retirar Dasani do mercado.
Mas as vendas continuam crescendo nos Estados Unidos e América Latina, Brasil incluído.

Legalmente, a Coca não fez nada de errado, mas seu marketing fez o consumidor acreditar que se tratava de uma água de qualidade superior e reside aí seu maior erro. Acusada de engarrafar água de torneira, a Coca levou a pior diante dos consumidores. “Ao engarrafar esse recurso natural e vender de volta a nós, corporações como a Coca-Cola criaram uma indústria de 100 bilhões de dólares num momento em que um bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a água de boa qualidade”, foi a mensagem da CI.

A Kellog´s ficou com o bronze. Acusação? Vender junk food para as crianças e fazer pais e mães acreditarem o contrário. A empresa, reconhecida mundialmente por seus cereais matinais, faturou 10,9 bilhões em 2006 e gastou 916 milhões em publicidade. Uma de suas chaves para o sucesso é sua aproximação com as crianças – caracterizado pela CI como um dos “marketings mais persuasivos e persistentes”. A empresa recentemente disse ao The New York Times que 27% de seu budget de marketing nos Estados Unidos está focado nas crianças abaixo de 12 anos.

A empresa se usa de ícones infantis – trabalha com personagens locais de sucesso em cada país – e brindes irresistíveis, e foi acusada de possuir altos níveis de açúcar em seus cereais. Embora tenha concordado em alterar algumas práticas de marketing, a CI ainda não está satisfeita, e seus afiliados de países como México e Austrália tem feito propaganda negativa da empresa – no México, o Frosted Flakes possui 40% de açúcar; seu comercial foi tirado do ar pela organização El Poder del Consumidor.

Entretanto, o melhor – ou seja, pior - ainda está por vir. O grande vencedor da “The International Bad Product 2007” foi a japonesa Takeda Pharmaceuticals, com suas pílulas para dormir para crianças, Rozerem. Seu anúncio na televisão americana, logo no começo do ano escolar, mostrava imagens de crianças, livros e um quadro negro com a locução: “Rozerem gostaria de lembrar que as aulas voltaram. Pergunte a seu médico se Rozerem é indicado para seu caso”.

Não é preciso ser phD em marketing para ver que esse é um esforço para persuadir os pais a usar a droga em seus filhos para ajudá-los nesse estressante período. Mas nada falava sobre os efeitos colaterais que incluem pensamentos suicidas e depressão – isso sem contar os outros muitos listados na bula. Levou seis meses para a Food and Drug Administration (FDA) retirar o anúncio do ar. Takeda é uma empresa de 10 bilhões de dólares – gastou 118 milhões com a publicidade de Rozerem. Para a CI esse caso demonstra “até onde vai uma empresa para aumentar as vendas, como um comercial pode promover o uso irracional de um produto, e como é fraca a regulamentação”.


Fonte: Por Ticiana Werneck, in www.consumidormoderno.com.br

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