Pular para o conteúdo principal

Agências promocionais no divã

O encontro das agências de Marketing Promocional esquentou o clima frio de São Paulo nesta semana. Assuntos como concorrência, direito autoral, certificação e remuneração das empresas deste segmento foram discutidos no quinto encontro realizado pela Associação de Marketing Promocional – Ampro – e que reuniu sócios e diretores de boa parte das agências do trade.

Os quatro painéis são fruto da tese aprovada no IV Congresso Brasileiro de Propaganda. Todos eles geram discussões, mas temas como concorrência e remuneração foram as que tiveram os debates mais acalorados. O evento foi fechado às agências associadas da Ampro e o Mundo do Marketing foi o único veículo de comunicação que teve acesso a todas as discussões in loco.

O encontro deixou poucas conclusões. Este, aliás, não era o objetivo. A meta foi debater as teses e encontrar novas saídas para problemas antigos, que remetem à fundação da Ampro, há 15 anos, e aprontar uma agenda de trabalho ainda mais afinada com a realidade das agências.

Orientar-se pelo Código de Ética
Esta realidade mostra que nenhuma empresa do setor está satisfeita com as concorrências por jobs – há casos envolvendo até 29 agências – e remunerações que comprometem um bom trabalho para o cliente e a rentabilidade das agências. Para resolver esta questão, Paulo Alimona, da SM Comunicação, tem uma opinião: “Precisamos fazer valer o Código de Ética da Ampro e ter um Conselho mais efetivo. O mercado precisa respeitar o nosso trabalho e nos pagar com dignidade”.

Para Edmundo Monteiro de Almeida, Vice-Presidente da Ampro e sócio-diretor da People Mais, a situação está piorando a cada dia. “Concordo com a concorrência desde que ela tenha normas e condições claras”. E concorrência por contas. “A concorrência por jobs é danoso não só ao mercado, mas para o próprio cliente”, adiciona Eliete Quadros, da Marprom.

A realidade, mais normal do que deveria parecer, é que todas as agências querem lucrar, aponta Fernando Figueiredo, da Bullet. “Se pudéssemos dizer não aos clientes seria ótimo, mas nem sempre podemos”. O cliente, todos concordaram, não é problema, mas a solução. O problema é quando o preço bate no setor de compras. “Estamos lidando com pessoas que não entendem de Marketing e comunicação, que compram tinta para a impressora igual compram nossos serviços”, afirma Márcia Woolf, Diretora da Ampro e sócia-diretora da PromoOffice.

Comoditização x diferenciação
Sabendo que as agências são concorrentes entre si num primeiro momento, a discussão passa a ser como sobreviver sem comprometer a sobrevivência do negócio. “O mercado está desregulamentado”, aponta Gilmar Pinto Caldeira, da Top Service. “Devemos repensar o nosso posicionamento e não podemos fazer promoção com o nosso próprio negócio”.

Na opinião de Paulo Leal, da Dream Factory, o mercado promocional está cada vez mais comoditizado. “Se o nosso trabalho não é valorizado é porque falta diferenciação e por isso é relegado ao setor de compras”, argumenta. “Temos que levar esta discussão para o campo das idéias e do planejamento. Se o cliente enxergar valor em nossos projetos ele não vai olhar o preço”, completa.

Para ajudar neste processo de geração de valor, a certificação das agências por competência e comprovação de trabalhos de qualidade pode ser um passo. Já há, inclusive, clientes vinculados à Associação Brasileira de Anunciantes, a qual a Ampro efetivou um convênio em agosto, que estão interessados em saber quais agências já estão certificadas. Até o momento, apenas duas agências – Zicard e Ability – se certificaram e há outras duas prestes a finalizarem o processo.

Para João Carlos Zicard, Presidente do Conselho da Ampro e sócio da agência que leva seu nome, este é um sinal de que o mercado está mudando. “Quando o cliente começa a pedir isso é sinal que estamos no caminho certo”, ressalta. “Os olhos do cliente brilham quando falamos da Certificação porque mostra um amadurecimento do mercado”, completa Flavia Golderberg, da Sob Medida, e que está dentro da ABA reapresentando a Ampro.

O 5º Encontro Brasileiro das Empresas de Marketing Promocional divulgou em primeira mão a criação do 1º Congresso de Marketing Promocional, que reunirá todo o segmento em 2009. A Presidente da Ampro, Elza Tsumori, anunciou ainda a criação do Comitê de Governança e Sustentabilidade de Associação, cujo objetivo é criar um ambiente de maior transparência na entidade e oferecer mais bases às agências em ações de sustentabilidade.


Fonte: Por Bruno Mello, in www.mundodomarketing.com.br
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Muito além do lucro: empresas precisam de propósito para criar valor para os stakeholders

O principal motor do sistema capitalista é o capital. Melhor dizendo, o lucro, que Karl Marx cunhou de forma crítica como mais-valia. Desde a concepção do sistema, entretanto, muita coisa aconteceu - da queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas à chegada da Geração Millennial ao mercado de trabalho - e tornou cada vez mais iminente a necessidade de revisão daquele guia original dos negócios, representado por cifrões. Hoje, as empresas despertam, pouco a pouco, para a importância de se buscar propósitos mais nobres para as suas atividades, enxergando o lucro como resultado e não como objetivo maior.
A nova mentalidade, entretanto, não pode se resumir a uma maquiagem para levar a organização ao sucesso na nova era, e esse é um dos desafios assumidos por Raj Sisodia, Cofundador e Copresidente do Instituto Capitalismo Consciente, que esteve no Rio de Janeiro na última semana durante o evento Sustainable Brands.
A entidade sem fins lucrativos criada por Sisodia já está em seis países,…

Em busca de economia, consumidor troca lojas físicas por virtuais

No primeiro semestre, ao todo, mais de 17 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra em lojas virtuais do país. O setor apresentou um faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo o relatório da WebShoppers. O destaque do período foi o maior volume de vendas de eletrodomésticos e telefonia/celular - produtos que pela cultura do país eram comprados em lojas físicas.
Segundo Adriano Caetano, especialista em e-commerce e diretor da Loja Integrada, a mudança de comportamento é reflexo da nova organização do orçamento. "Com a crise, a população acaba poupando mais dinheiro e a internet é uma forma de economizar. É mais fácil pesquisar preços e formas de pagamento, e possivelmente encontrar um preço mais barato que a loja física", explica Adriano. Na Loja Integrada, por exemplo, o aumento nas vendas entre as micro e pequenas empresas chegou a 40% em relação ao ano passado, número na contramão da recessão da economia.
Para o especialista, o destaque nestes segmentos de vendas está …