Pular para o conteúdo principal

Conectado ao protagonismo na internet

Uma bela defesa da web 2.0 está à venda nas livrarias. Foi escrito por um brasileiro nascido em 1971, Juliano Spyer, e se chama Conectado – O que a Internet Fez com Você e o que Você Pode Fazer com Ela (Jorge Zahar Editor, R$ 39,90).

Juliano me convidou para prefaciar o livro. Divido com vocês alguns trechos do texto sobre uma obra de méritos inegáveis. Um deles foi entender a importância do bate-papo na internet, embrião da mídia social, das comunidades que agora fazem o maior sucesso na rede. Outro mérito é o de explicar, de forma bastante cristalina, quanto os provedores não deram importância, logo no início da internet comercial, para uma plataforma que era muito mais do que a possibilidade de colocar duas pessoas falando juntas sobre qualquer assunto, que já é a plataforma da interatividade que marca a web 2.0.

Nascido no Brasil, Juliano se alfabetizou em espanhol porque morou na Argentina quando o pai, o jornalista Marcos Wilson, era correspondente em Buenos Aires. Parte do curso colegial ele o fez nos Estados Unidos. Depois, estudou história na Universidade de São Paulo e ainda voltou a morar nos EUA — seu pai foi implantar um canal de comunicação latino-americano para a CBS em Miami. Em 1997, acabou contratado pela Starmedia (engolida pela bolha), onde cuidou do projeto Starmedia Eventos, uma espécie de canal de bate-papo com convidados de toda a América Latina. Em 2001, recebeu proposta para ser o gerente de comunidades da America Online, empresa que ele deixou em 2003, dois anos antes de ela morrer aqui no Brasil. Convidado para desenvolver o projeto Leia Livro na Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, cuidou também do Viva São Paulo, que se ouvia na paulistana Rádio Eldorado. Agora, está na TV Cultura, sempre metido com redes sociais.

Quando começou a escrever este livro, não sabia onde iria terminar. Queria encerrar um ciclo iniciado em dezembro de 1997, quando foi contratado para editar o site de notícias em português da Starmedia. Também nessa época, de passagem pelo escritório da Starmedia no Brasil, viu a equipe de chat com convidados trabalhar. Foi fácil para Juliano arquitetar e implementar um chat com celebridades para o público de fala hispânica da Starmedia — coisa inexistente até então. Trabalhou com duas limitações, as diferenças de fusos horários e as diferenças culturais, uma vez que a celebridade de um país não seria necessariamente celebridade nos outros. Um mecanismo de administração dos horários foi criado e ele arrebanhou os convidados. Como gerente de comunidades da AOL em Porto Rico, Juliano viveu quinze meses no Caribe fazendo reflexões sobre sua profissão. “O que é isso que eu faço? Como é o nome dessa profissão? Como a gente anuncia isso na seção de classificados de um jornal? Qual é a relação dela com o jornalismo e em que ela se diferencia?” Ele se perguntava e a sensação era de tatear no escuro. O livro nasce desse olhar para o passado, da memória da sua experiência desde o encontro com um totem de videotexto no Shopping Eldorado, em São Paulo, no começo dos anos 80 — sua primeira e impactante experiência com a interação.

Registrou por escrito a memória de oito anos de trabalho. Tinha então uma história. Sentiu a necessidadede explicar de maneira mais técnica esse trabalho. Descreveu sua rotina, a convivência como produtor de canais, o relacionamento com arquitetos, programadores, e pessoal de negócios. Depois decidiu, porque fazia total sentido, apresentar as ferramentas de chat, de fórum, de criação compartilhada de conteúdos (wiki) e todas as outras que estão no livro.

Dividido em três partes (1. Teoria e Tecnologia; 2. Prática; e 3. Casos e Debates), o livro passa por todos os pontos relevantes daquilo de mais importante que a internet carrega, a possibilidade de o usuário não somente se comunicar universalmente em rede, mas também de ser capaz de gerar conteúdo próprio. Nele, o leitor vai saber muito mais do que sabe intuitivamente sobre chats, comunicadores instantâneos, fóruns, listas de discussões, blogs, ferramentas wiki, agregadores de conteúdo, folksonomia, algoritmos sociais, automoderação, cross media e os efeitos colaterais de uma sociedade informatizada porque, como nota Juliano, os aspectos negativos da rede sempre atraem mais atenção da mídia.

No fim, ele mesmo se pergunta se a internet é um destino e um desafio, arrola ingenuidades e monstruosidades que envolvem o debate sobre esta indústria e apela para o bom senso dos indivíduos. É um livro simultaneamente técnico e humanista, didático e profundo, além de obra das mais abrangentes sobre essa nova indústria.


Fonte: Por Caio Tulio Costa, in www.meioemensagem.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...