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Existe um abismo entre empresas e blogueiros

Há cerca de um mês participei do Blogcamp São Paulo. Vários blogueiros famosos estavam lá, entre eles Alexandre Fugita, Manoel Netto, Alexandre Inagaki, Eric Messa e Edney Souza. Aconteceram várias discussões interessantes, mas ficou latente o quanto a blogosfera ainda está distante do mundo corporativo.

Blogueiros estão preocupados em se profissionalizar. Falou-se muito da necessidade de um kit de apresentação para empresas como forma de atrair anunciantes diretos. A idéia é excelente, mas pouquíssimos blogueiros têm visão de negócios. E muitos imaginam que ganhar dinheiro com organizações é quase como receber uns trocados via Google Adsense.

Primeiro, a blogosfera tem noção do quando o mundo está mudando, mas essa mesma sensação ainda não chegou pro resto dos “mortais”, que mal se deu conta do quanto suas vidas já estão conectadas.

Segundo que, principalmente nas organizações, cujo principal objetivo é crescer e dar lucro; onde a SOX e o mercado de capitais têm exigido uma série de compliances, não adianta querer “convencer” que blogs são bacanas. É preciso entender o perfil da companhia, saber se ela está pronta para criar internamente uma cultura Web e encontrar a melhor moeda de troca.

As empresas precisam entender o que são blogs. Blogueiros acham que o conceito está disseminado, mas enganam-se. Pior, nem mesmo as agências de comunicação dessas companhias compreenderam de fato o papel dos blogs e dos blogueiros. Está todo mundo perdido. Eu ando recebendo sugestões de pauta no meu e-mail pessoal e ninguém nem se deu ao trabalho de checar que sou da concorrência. Por aí dá para perceber que não se entendeu nada. Blogueiros precisam ser didáticos e muito óbvios quando se aproximam das empresas. Começar do começo ajuda bastante.

Alguns dados também são essenciais. Blogs normalmente falam com uma audiência específica e muitos chegam a ter mais de 10 mil visitas diárias, ou seja, um alcance muito maior do que diversas mídias tradicionais. Obviamente que a empresa quer conhecer o “público-leitor” e entender qual é a contrapartida de anunciar num blog e não no rodapé de um jornal impresso, por exemplo.

É primordial que a empresa entenda que com poucos centavos ela pode atingir quem ela realmente precisa para alavancar sua marca. Mas existe o desafio de fazer a companhia enxergar que os blogs não vão se transformar em força de vendas. Os leads podem, sim, ser gerados por uma série de ferramentas de Web que ao serem inseridas nos blogs direcionam o consumidor para que ele realize uma compra online. Mas mais do que leads, blogs podem gerar banco de dados, pesquisa qualitativa, boca-a-boca, etc.

Uma análise de risco também seria ideal. Empresas querem ter certeza de que sua reputação está protegida, de que não serão expostas a uma crise e não terão que arcar com o ônus de um comentário maldoso ou de um conteúdo postado erroneamente. Mas o problema é que até mesmo a blogosfera está lutando para que haja uma mudança em relação às leis de calúnia e difamação, direitos autorais, entre tantas outras que simplesmente não funcionam num mundo sem fronteiras e plano como a Web. E é aí que normalmente as coisas travam. O blogueiro que conseguir mudar esse conceito de que blogs são território perigoso não irá apenas abrir as portas, mas praticamente derrubar o “muro de Berlim” que existe ao redor da blogosfera hoje.

Quando isso acontecer, as empresas não vão mais sair fazendo blogs próprios sem nenhuma estratégia, vão enxergar blogueiros como mais um canal de divulgação e publicidade e passarão a designar verbas para isso, tornando o Brasil um mercado potencial e emergente também na Internet.


Fonte: Por Thiane Loureiro, in jumpexec.uol.com.br

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