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O poder das tribos dentro das organizações

Sabe aqueles grupinhos de funcionários que se reúnem em torno da máquina de café ou que sempre almoçam juntos? Eles são uma das forças mais poderosas dentro das empresas. É o que afirma o livro recém-lançado Tribal Leadership: Leveraging Natural Groups to Build a Thriving Organization ("Liderança tribal: alavancando grupos naturais para construir uma organização próspera"). Como sugere o título, são "tribos" que se formam naturalmente dentro das organizações, independentemente da vontade da cúpula da empresa. Algumas dessas tribos favorecem o sucesso do negócio, outras são um estorvo aos desígnios das chefias.

Há basicamente cinco tipos de tribos, de acordo com os autores, os consultores americanos Dave Logan, John King e Halee Fischer-Wright. Para identificá-las, basta prestar atenção à maneira como seus integrantes se manifestam a respeito do trabalho, de seus colegas e da vida. Na pesquisa, que envolveu 24 mil funcionários de grandes empresas americanas, despontaram as seguintes tribos:

Hostis - Formadas por funcionários que gostam de manifestar seu pessimismo no ambiente de trabalho e que resistem a qualquer iniciativa da chefia. "Essa vida é uma droga" está entre suas frases favoritas.

Desmotivadas - São as tribos dos desligados e apáticos. Ficam felizes com a própria falta de empenho, ao mesmo tempo em que reclamam de que não são ouvidos pela cúpula da empresa. Se pudessem escolher, não seriam responsáveis por coisa alguma.

Autocentradas - São as tribos compostas por funcionários egocêntricos. Gostam de competir individualmente e resistem a qualquer tipo de colaboração. "Sou melhor do que meus colegas", acreditam.

Colaborativas - Os que delas participam gostam de colaborar e dividir conhecimento. São tribos competitivas, mas sempre com o espírito bélico voltado a outras companhias. "Nós somos grandes, eles não" é a sua crença.

Desbravadoras - São as mais raras. Seus membros exalam entusiasmo juvenil pelo que fazem e se dedicam a criar, freqüentemente com sucesso, coisas nunca antes sonhadas. "A vida é boa" poderia ser o seu lema.

No livro, esses cinco tipos de tribo são descritos como estágios. No nível mais baixo estão as hostis e no cume, as desbravadoras. Um líder bem-sucedido é aquele que consegue fazer com que as tribos prejudiciais à empresa assumam uma atitude positiva para o negócio e ascendam nessa escala. É inútil buscar o impossível. Em vez de querer que funcionários desmotivados transformem-se rapidamente em grandes espíritos empreendedores, é melhor se esforçar para que atinjam o estágio imediatamente à frente - no caso, a tribo dos autocentrados. Os autores recomendam aos líderes que se aproximem dos funcionários que mostrem enfado com sua tribo e revelem sinais de que podem dar um passo adiante. Devem usar frases de estímulo, como "penso que você tem potencial para liderar".

Um novo CEO ou um novo líder de departamento têm poucas chances de sucesso se não forem, também, líderes tribais, diz Tribal Leadership. Caso sejam, viram ímãs de talentos quando assumem uma liderança formal dentro da companhia. "As pessoas ficam tão ávidas para trabalhar com eles que aceitariam redução de salário se isso fosse necessário", afirmam os consultores. Da mesma forma, a reestruturação de uma empresa invariavelmente fracassa se não contar com a aprovação dessas lideranças informais e de suas tribos.


Fonte: epocanegocios.globo.com

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